Economia

Mercado espera manutenção da Selic em 14,25% ao longo de praticamente todo 2016

Taixa abaixo de dois dígitos será vista apenas no final de 2020, pelo mesmo levantamento

Taixa abaixo de dois dígitos será vista apenas no final de 2020, pelo mesmo levantamento
Taixa abaixo de dois dígitos será vista apenas no final de 2020, pelo mesmo levantamento Foto : Banco Central do Brasil / Divulgação / CP
A taxa básica de juros deve permanecer nos atuais 14,25% ao ano ao longo de praticamente todo 2016. Essa é a nova perspectiva do mercado financeiro para o comportamento da Selic, depois que o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu pela manutenção da taxa pela maioria de seis membros, mas com dois votos dissidentes com a avaliação de que o melhor seria elevá-la já para 14,75% ao ano.

Com isso, analistas consultados toda semana pelo Banco Central deixaram de acreditar que uma redução dos juros poderia ser vista em outubro de 2016, última data prevista e que já tinha sido retardada nas últimas semanas. Postergaram a nova expectativa para o último mês do ano. Mesmo assim, não se trata de um consenso, já que o ponto central do Relatório de Mercado Focus aponta para uma taxa de 14,13% - média das apostas de 14,00% e 14,25% AA.

Selic abaixo de dois dígitos será vista apenas no final de 2020, pelo mesmo levantamento. O boletim revelou nesta segunda-feira, 30, que para o final de 2017 é aguardada uma taxa de 11,50%; para 12 meses depois, de 10,50% e, no fim de 2019, em 10,00%. Só um ano mais tarde é que os juros básicos da economia devem chegar a 9,50% ao ano, mesmo patamar que, se confirmado, se igualará ao de outubro de 2013.

Essa precaução toda com a trajetória da Selic se dá porque o BC deixou bem claro que só terá condições de levar a inflação para o centro da meta de 4,50% em 2017. Até lá, se esforçará para que o teto de 6,50% no ano que vem não seja rompido. Para que essas premissas da autarquia ocorram, a avaliação é a de que a diretoria do BC será austera com a política monetária, principalmente em um período em que não se enxerga colaboração da política fiscal. Até a divisão dos votos, o recado da instituição era o de que a manutenção da taxa básica se daria por um "período prolongado".

Já essa postura do BC tem como base a alta da inflação e das expectativas. Apesar de o ano estar acabando, analistas do setor privado ainda encontram espaço para o IPCA subir. Acreditam agora que a taxa de 2015 será de 10,38%. Os técnicos do mercado aumentaram suas previsões para o índice de novembro (0,87%) e também para o de dezembro (0,85%).

Para 2016, não houve alteração de prognóstico na pesquisa, mas o ponto central das estimativas da Focus revela que o índice (6,64%) está acima do teto de 6,50%. Se mais uma vez o BC deixar os preços saírem do controle terá de escrever nova carta ao ministro da Fazenda explicando os motivos pelos quais isso ocorreu e indicando qual será a estratégia para que, no futuro, a inflação volte a diminuir. No caso de 2017, que é o novo foco de atuação do Copom, a estimativa do mercado também sofreu ajuste para cima e agora está em 5,12%.

Nem a previsão de queda do Produto Interno Bruto (PIB) neste e no ano que vem representam alívio suficiente para colocar rédeas na inflação. Segundo o relatório Focus, a economia brasileira terá retração de 3,19% em 2015 e de 2,04% em 2016. O resultado do terceiro trimestre do ano será divulgado nesta terça-feira, 1. Mesmo com a mudança, a relação da dívida líquida do setor público com o PIB ficou estável nas planilhas dos especialistas. Permaneceu em 35,50% para este ano e em 40% para o próximo.

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O ajuste da economia ao momento de crise tem se dado pelo setor externo. A previsão dos economistas do setor privado é a de que a balança comercial tenha superávit de US$ 15 bilhões em 2015 e que esse volume mais que dobre no ano que vem, para US$ 31,68 bilhões. Esse resultado ajudaria a diminuir o rombo do setor externo, que conta com previsões deficitárias de US$ 64,7 bilhões para este ano e de US$ 39,68 bilhões para 2016. Para a taxa de câmbio, não houve alterações no documento: o dólar deve encerrar este ano cotado a R$ 3,95 e o próximo a R$ 4,20.

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