A taxa básica de juros deve permanecer nos atuais 14,25% ao ano ao longo de praticamente todo 2016. Essa é a nova perspectiva do mercado financeiro para o comportamento da Selic, depois que o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu pela manutenção da taxa pela maioria de seis membros, mas com dois votos dissidentes com a avaliação de que o melhor seria elevá-la já para 14,75% ao ano.
Com isso, analistas consultados toda semana pelo Banco Central deixaram de acreditar que uma redução dos juros poderia ser vista em outubro de 2016, última data prevista e que já tinha sido retardada nas últimas semanas. Postergaram a nova expectativa para o último mês do ano. Mesmo assim, não se trata de um consenso, já que o ponto central do Relatório de Mercado Focus aponta para uma taxa de 14,13% - média das apostas de 14,00% e 14,25% AA.
Selic abaixo de dois dígitos será vista apenas no final de 2020, pelo mesmo levantamento. O boletim revelou nesta segunda-feira, 30, que para o final de 2017 é aguardada uma taxa de 11,50%; para 12 meses depois, de 10,50% e, no fim de 2019, em 10,00%. Só um ano mais tarde é que os juros básicos da economia devem chegar a 9,50% ao ano, mesmo patamar que, se confirmado, se igualará ao de outubro de 2013.
Essa precaução toda com a trajetória da Selic se dá porque o BC deixou bem claro que só terá condições de levar a inflação para o centro da meta de 4,50% em 2017. Até lá, se esforçará para que o teto de 6,50% no ano que vem não seja rompido. Para que essas premissas da autarquia ocorram, a avaliação é a de que a diretoria do BC será austera com a política monetária, principalmente em um período em que não se enxerga colaboração da política fiscal. Até a divisão dos votos, o recado da instituição era o de que a manutenção da taxa básica se daria por um "período prolongado".
Já essa postura do BC tem como base a alta da inflação e das expectativas. Apesar de o ano estar acabando, analistas do setor privado ainda encontram espaço para o IPCA subir. Acreditam agora que a taxa de 2015 será de 10,38%. Os técnicos do mercado aumentaram suas previsões para o índice de novembro (0,87%) e também para o de dezembro (0,85%).
Para 2016, não houve alteração de prognóstico na pesquisa, mas o ponto central das estimativas da Focus revela que o índice (6,64%) está acima do teto de 6,50%. Se mais uma vez o BC deixar os preços saírem do controle terá de escrever nova carta ao ministro da Fazenda explicando os motivos pelos quais isso ocorreu e indicando qual será a estratégia para que, no futuro, a inflação volte a diminuir. No caso de 2017, que é o novo foco de atuação do Copom, a estimativa do mercado também sofreu ajuste para cima e agora está em 5,12%.
Nem a previsão de queda do Produto Interno Bruto (PIB) neste e no ano que vem representam alívio suficiente para colocar rédeas na inflação. Segundo o relatório Focus, a economia brasileira terá retração de 3,19% em 2015 e de 2,04% em 2016. O resultado do terceiro trimestre do ano será divulgado nesta terça-feira, 1. Mesmo com a mudança, a relação da dívida líquida do setor público com o PIB ficou estável nas planilhas dos especialistas. Permaneceu em 35,50% para este ano e em 40% para o próximo.
Dólar até R$ 4,20, preveem economistas
O ajuste da economia ao momento de crise tem se dado pelo setor externo. A previsão dos economistas do setor privado é a de que a balança comercial tenha superávit de US$ 15 bilhões em 2015 e que esse volume mais que dobre no ano que vem, para US$ 31,68 bilhões. Esse resultado ajudaria a diminuir o rombo do setor externo, que conta com previsões deficitárias de US$ 64,7 bilhões para este ano e de US$ 39,68 bilhões para 2016. Para a taxa de câmbio, não houve alterações no documento: o dólar deve encerrar este ano cotado a R$ 3,95 e o próximo a R$ 4,20.
Mercado espera manutenção da Selic em 14,25% ao longo de praticamente todo 2016
Taixa abaixo de dois dígitos será vista apenas no final de 2020, pelo mesmo levantamento