Os economistas do mercado financeiro elevaram suas projeções para o Índice Nacional de preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - o indicador oficial de preços - neste ano. O Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, pelo Banco Central (BC), mostrou que a mediana para o IPCA em 2017 foi de 3,00% para 3,06%. Há um mês, estava em 2,97%. Já a projeção para o índice de 2018 permaneceu em 4,02%, ante 4,08% de quatro semanas atrás.
Na prática, as projeções de mercado divulgadas nesta segunda no Focus indicam que a expectativa é de que a inflação fique levemente acima do piso da meta, de 3,0%, em 2017. O centro da meta para este ano e o próximo é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (inflação de 3,0% a 6,0%).
No dia 6 de outubro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA de setembro subiu 0,16%. No ano, a inflação acumulada é de 1,78% e, nos 12 meses até setembro, de 2,54%. Em 21 de setembro, o BC havia atualizado no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) suas projeções para o IPCA: 3,2% em 2017, 4,3% em 2018, 4,2% em 2019 e 4,1% em 2020.
Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2017 no Focus foi de 3,01% para 3,05%. Portanto, estas casas também preveem que o BC cumprirá a meta, já que a inflação ficará acima do piso de 3%. Para 2018, a estimativa do Top 5 foi de 3,91% para 4,00%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 2,81% e 4,09%, respectivamente.
Já a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 4,00% para 4,01% de uma semana para outra - há um mês, estava em 3,94%.
Entre os índices mensais mais próximos, a estimativa para outubro de 2017 subiu de 0,40% para 0,47%. Um mês antes, estava em 0,35%. No caso de novembro, a projeção seguiu em 0,35% ante 0,36% de quatro semanas antes. No RTI, o BC também havia atualizado suas projeções de inflação de curto prazo: 0,46% para outubro e 0,40% para novembro.
Preços administrados
O relatório indicou elevação na projeção para os preços administrados neste ano. A mediana das previsões do mercado financeiro para o indicador em 2017 foi de alta de 6,66% para avanço de 6,82%. Para 2018, a mediana permaneceu em 4,80%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 6,50% para os preços administrados em 2017 e elevação de 4,70% em 2018.
No RTI, divulgado em setembro, o BC atualizou suas projeções de alta para os preços administrados: 7,4% em 2017; 5,2% em 2018; 4,3% em 2019; e 4,2% em 2020. Em 29 de setembro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a adoção da bandeira vermelha patamar 2 na conta de luz em outubro.
PIB
Após recuo do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) em agosto, o mercado financeiro elevou levemente sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017. A expectativa de alta para o PIB deste ano foi de 0,72% para 0,73% no Relatório de Mercado Focus. Há um mês, a perspectiva estava em 0,68%. Para 2018, o mercado manteve a previsão de alta do PIB, de 2,50%. Quatro semanas atrás, a expectativa estava em 2,30%.
Na semana passada, o Banco Central informou que o IBC-Br cedeu 0,38% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal. Em relação a agosto do ano passado, o índice sem ajuste sazonal subiu 1,64%. No acumulado de 2017 até agosto, o IBC-Br acumula leve alta de 0,31%. Para boa parte dos economistas, apesar do recuo na margem do IBC-Br em agosto, a atividade no País segue em processo de recuperação.
Em 21 de setembro, o RTI trouxe as projeções atualizadas do BC para o crescimento do PIB: 0,7% em 2017 e 2,2% em 2018. Posteriormente, o Ministério do Planejamento também divulgou sua projeção para o PIB este ano, de alta de 0,5%.
No Focus, a projeção para a produção industrial deste ano foi de avanço de 1,18% para alta de 2,00%. Há um mês, estava em 1,05%. No caso de 2018, a estimativa de crescimento da produção industrial passou de 2,50% para 2,73%, ante 2,40% de quatro semanas antes.
Já a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2017 foi de 52,25% para 52,23%. Há um mês, estava em 52,15%. Para 2018, a expectativa no boletim Focus foi de 55,72% para 55,90%, ante 55,65% de um mês atrás.
Dólar
O Relatório de Mercado Focus mostrou que a projeção para a cotação da moeda americana no fim de 2017 foi de R$ 3,15 para R$ 3,16. Há um mês, também estava em R$ 3,16. O câmbio médio de 2017 seguiu em R$ 3,17, mesmo porcentual de um mês antes.
No caso de 2018, a projeção para o câmbio no fim do ano permaneceu em R$ 3,30. Quatro semanas antes, estava no mesmo patamar. Já a projeção para o câmbio médio no próximo ano permaneceu em R$ 3,24, ante R$ 3,25 de quatro semanas atrás.
Juros
À espera do encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), nesta semana, os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica de juros) para o fim de 2017 e 2018.
O Relatório de Mercado Focus trouxe que a mediana das previsões para a Selic este ano permaneceu em 7,00% ao ano. Há um mês, estava no mesmo patamar. O levantamento indicou ainda que a mediana das projeções para a Selic no fim de 2018 seguiu em 7,00% ao ano, igual a um mês atrás.
No dia 6 de outubro, o IBGE informou que o IPCA de setembro subiu 0,16%. No ano, a inflação acumulada é de 1,78% e, nos 12 meses até setembro, de 2,54%.
Em 21 de setembro, o RTI havia reforçado a mensagem de que o BC pretende reduzir o atual ritmo de cortes da Selic (a taxa básica de juros). Após ter cortado os juros em 1 ponto porcentual no início de setembro, de 9,25% para 8,25% ao ano, o BC indicou a intenção de, nesta semana, promover corte mais moderado.
No Focus, a Selic média de 2017 seguiu em 9,84% ao ano. Essa era a projeção há um mês. No caso de 2018, a Selic média foi de 7,00% para 6,94% ante 7,00% de quatro semanas atrás.
Para o grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a taxa básica terminará 2017 em 7,00% ao ano, mesmo patamar projetado há uma semana e há um mês. Para 2018, a expectativa seguiu em 7,00%, o mesmo porcentual projetado uma semana antes. Há um mês, o porcentual estimado era de 7,25%.
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