Economia

Mercado reage a eleições e faz dólar recuar para menos de R$ 5,00

Moeda americana exibe o melhor desempenho frente ao real e fecha em queda na semana antes do segundo turno

Moeda americana exibe o melhor desempenho frente ao real e fecha em queda na semana antes do segundo turno
Moeda americana exibe o melhor desempenho frente ao real e fecha em queda na semana antes do segundo turno Foto : Marcos Santos / USP Imagens / CP

Após rondar a estabilidade pela manhã desta sexta-feira, e no início da tarde, o dólar à vista se firmou em baixa nas duas últimas horas do pregão e rompeu o piso de R$ 5,00, encerrando nos menores níveis desde 9 de outubro. O real exibiu o melhor desempenho entre as principais moedas globais, em dia marcado por sinal predominante de alta da moeda americana no exterior.

Operadores relatam a possibilidade de entrada de fluxo estrangeiro para ativos locais e desmontagem parcial de "hedge cambial" no último pregão antes da realização do segundo turno, diante da perspectiva de que Flávio Bolsonaro vença a corrida presidencial, de acordo com levantamentos informais.

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta à noite trouxe Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva empatados em votos válidos. Levantamento Ipespe/Abrapel, que saiu pela manhã, mostrou o senador numericamente à frente tanto em votos totais (48% contra 47%) quanto em votos válidos (50,5% contra 49,5%).

Com mínima de R$ 4,9891, na reta final dos negócios, o dólar à vista terminou o pregão em queda de 0,92%, a R$ 4,9931 - menor valor de fechamento desde o dia 9 (R$ 4,9851), quando o mercado ainda vivia a euforia provocada pela dianteira surpreendente de Flávio no primeiro turno. A moeda americana encerra a semana com perdas de 1,58% frente ao real, após alta de 1,77% na semana anterior, em um cenário eleitoral de alta volatilidade.

Apostas do mercado

O diretor de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, observa que, apesar do quadro de disputa acirrada desenhado pelas pesquisas, as apostas entre investidores em vitória de Flávio são amplamente majoritárias. "É natural que as pessoas se posicionem na reta final para um cenário mais provável", afirma Weigt, lembrando que as expectativas de mudança da política fiscal estão depositadas no candidato da oposição. "Eu vejo um quadro bem assimétrico para o dólar no curto prazo. Pode cair um pouco com a vitória do Flávio e subir muito se o Lula ganhar."

Cenário externo e petróleo

No exterior, o dólar subiu em relação a outras moedas fortes, após dados acima das expectativas nos Estados Unidos reforçarem a robustez da atividade. Por volta das 17h, o índice DXY avançava 0,19%, aos 101,799 pontos. As cotações do petróleo voltaram a subir com o aumento das tensões no Oriente Médio. O contrato do Brent para dezembro encerrou em alta de 3,13%, a US$ 116,72 o barril, no maior nível desde abril.

O estrategista de mercados emergentes do Wells Fargo, Álvaro Vivanco, tem como cenário-base a vitória de Flávio, ao ver apenas 33% de chance de reeleição de Lula, e mantém posições "vendidas" em dólar contra o real. Vivanco tem como alvo um dólar a R$ 4,75 caso o candidato do PL conquiste o Palácio do Planalto. Já a recondução de Lula levaria a taxa de câmbio para R$ 5,30.

Bolsa de Valores

Após movimentos contidos pela manhã desta sexta-feira, o Ibovespa se firmou em alta e renovou máxima na segunda etapa do pregão. Segundo operadores, houve uma rodada final de alocações antes das eleições mirando uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL), visto pela maioria do mercado financeiro como mais favorável a um ajuste nas contas públicas. As pesquisas eleitorais seguiram mostrando reação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a cautela que dominou as mesas de negociação na semana e pela manhã acabou sendo substituída pelo "medo de ficar de fora" caso haja um novo rali após o segundo turno.

Assim, o Ibovespa subiu 0,47%, aos 205.082,56 pontos, com giro financeiro de R$ 30,7 bilhões. Na semana dominada por cautela com eleição, cedeu 0,17%, mas acumula avanço de 10,06% em outubro e de 27,28% em 2026. O especialista em mercado financeiro do grupo Axia, Felipe Sant" Anna, afirma que operadores estavam "montando posição final acreditando na vitória do Flávio, em um movimento coordenado pela ideia de que ninguém quer ficar de fora". Segundo ele, "quanto mais a Bolsa sobe, mais são acionados gatilhos de compra".

O Termômetro Broadcast Bolsa aponta que o otimismo com o Ibovespa ganhou força ao longo de outubro e atingiu o maior nível da sequência recente. No levantamento desta sexta, 66,67% dos participantes esperam alta do índice na próxima semana, após o segundo turno, contra 50% na pesquisa anterior. Destrinchando algumas pesquisas eleitorais, o Datafolha mostrou Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) empatados com 50% dos votos válidos, que excluem nulos e brancos.

Já a pesquisa Ipespe/Abrapel mostra Flávio com 50,5% dos votos válidos para o segundo turno, contra 49,5% do atual presidente. Por fim, Vox Brasil aponta Lula com 50,6% das intenções de voto e o senador aparece com 49,4%. O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, avalia que "aparentemente o mercado está dando maior peso a pesquisas internas que mostram uma vitória da oposição no domingo". Investidores também aguardam o debate entre os candidatos, à noite, na TV Globo. O advisor sênior da Blue3 Investimentos, Rafael Stephano, destaca um ânimo generalizado na Bolsa no final da tarde. "Todos os setores em alta, mas os mais fortes são setor imobiliário e setor de consumo, refletindo uma animada na tomada de juros por parte dos investidores." A tese do mercado é de que a eleição de Flávio poderia levar a uma política fiscal mais austera, o que derrubaria os juros futuros.

Com o trade eleitoral, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) abaixo do esperado ficou em segundo plano. Entre as blue chips, Petrobras e Vale subiram, seguindo os ganhos de 3% do petróleo Brent e de 0,6% do minério de ferro em Dalian. Entre os bancos, apenas Santander Brasil Unit caiu 0,79%. Até Bradesco abandonou a queda conforme os operadores absorveram a frustração com o balanço do terceiro trimestre de 2026, e os papéis subiram 0,84% (ON) e 0,74% (PN).

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