O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou nesta sexta-feira (19) que um "pânico político" desatou uma tempestade nos mercados do país, causando a desvalorização do peso e a disparada do risco-país. O pronunciamento foi feito a menos de um mês das eleições legislativas de outubro.
Em seu discurso na Bolsa de Comércio de Córdoba, Milei defendeu seu programa econômico e acusou a oposição de estar "fazendo uma sabotagem" para prejudicá-lo. O dólar fechou a 1.515 pesos no Banco Nación, ultrapassando o teto de flutuação cambial estabelecido pelo governo.
Como resultado, o Banco Central da Argentina precisou intervir vendendo US$ 678 milhões para evitar uma disparada da moeda americana, somando mais de US$ 1,11 bilhão em vendas desde quarta-feira.
Desafios políticos e econômicos
A crise econômica coincide com o pior momento político do governo Milei. O presidente, que enfrenta o desafio de pagar dívidas de aproximadamente US$ 8 bilhões até janeiro, revelou que as negociações com o Tesouro dos Estados Unidos para um novo empréstimo estão "muito avançadas". A ajuda, que viria do governo de Donald Trump, seu aliado, permitiria ao país aumentar suas reservas.
A fragilidade política de Milei foi evidenciada pela derrota em eleições legislativas na província de Buenos Aires e pela reversão de seus vetos a leis no Congresso, onde seu governo está em minoria. Em resposta às recentes derrotas, Milei lançou a campanha eleitoral para as eleições legislativas de outubro, pedindo que a população não "esmoreça". A situação é agravada por uma investigação por corrupção na Agência Nacional para a Deficiência (Andis), que envolve sua irmã, Karina Milei, secretária-geral da Presidência.