"Foi um sucesso total porque nosso objetivo era alcançar 50 mil manifestantes", comemorou um responsável de um sindicato. A manifestação ocorre em um contexto político complicado para o país, que está sem um governo de pleno exercício desde abril de 2010.
Após cerca de 540 dias de negociações intermináveis, um novo governo prestará juramento na segunda ou terça-feira, liderado pelo socialista Elio Di Rupo e apoiado por uma coalizão de seis partidos de direita, centro ou esquerda. Os seis partidos políticos flamengos e francófonos entraram em acordo sobre um severo plano de cortes orçamentários destinados a reduzir o déficit da Bélgica a 2,8% do PIB em 2012 e alcançar o equilíbrio em 2015, para estar em conformidade com a Comissão Europeia.
A agência de classificação financeira Standard & Poor's rebaixou recentemente a nota de crédito da Bélgica obrigando os partidos, que se opunham a temas orçamentários, a fechar um compromisso. A crise política revelou a profundidade da brecha que separa os flamengos do norte (60% da população) dos francófonos de Bruxelas e a região da Valônia. Os sindicatos classificaram de "desequilibradas" as medidas, que não afetam o suficiente os "responsáveis da crise".