O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, se reuniu com o governador do Estado, Eduardo Leite, ontem, para debater as medidas de combate ao trabalho análogo à escravidão. O representante do governo federal cumpre agenda focada no tema em solo gaúcho, após o caso de trabalhadores encontrados em situação degradante em Bento Gonçalves, na Serra, em fevereiro. Após o encontro com Leite, ele voltou a afirmar que o trabalho do ministério, de dialogar com o empresariado e estimular acordos de responsabilidade, é para construir uma realidade sem novos crimes aos direitos humanos. “Ano que vem, a safra acontecerá de novo e, seguramente, esse planejamento evitará que a gente repita isso [trabalho análogo à escravidão]“, disse.
Para o governador do Estado, a reunião com o ministro garante um avanço no rumo que o governo estadual deseja, que é um trabalho em conjunto com o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho (MPT). Leite ainda garantiu que pretende estender ao Ministério do Trabalho o acordo de cooperação técnica assinado pelo governo gaúcho com o MPT para desenvolver um plano de atuação, com fiscalização e conscientização. O objetivo é engajar os setores onde mais observarem a possibilidade de ocorrerem situações semelhantes “para reduzir ao mínimo a chance de haver outro tipo de episódio como este, lamentável”, afirmou o governador.
O tema da Reforma Trabalhista também voltou a ser abordado pelo ministro. Desta vez, ele disse que o governo não quer assumir um posicionamento pela revisão da lei, deixando a análise para trabalhadores e empregadores em uma mesa tripartíte já formada. “Nós queremos ser intermediários nesse debate, não queremos a mão do governo federal, a interferência”, pontuou Marinho.
O ministro ainda comentou as férias coletivas anunciadas por montadoras, motivada, segundo as empresas, pelos juros altos. Marinho foi enfático sobre o que espera da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). “Eu espero que o Copom tenha juízo, sensibilidade e reduza os juros”, disse. Ele disse que a inflação está sobre controle no Brasil e que o Banco Central não precisa agir com temor. Até o momento, o ministro do Trabalho acredita que não há risco de que as férias coletivas possam resultar em demissões em massa. Segundo ele, o caso vem sendo monitorado pelo governo federal e não foge ao comportamento comum em empresas mais estruturadas, como as do setor automotivo. “As férias coletivas e eventuais folgas coletivas são um mecanismo de administração do efetivo de trabalho”, avaliou Marinho. Para ele, é necessário “soltar as travas da economia” para voltar a falar de contratação e geração de emprego para quem está desempregado.