Em dia de Gre-Nal, a Missão empresarial e governamental gaúcha que visita Israel foi recebida na esplanada de acesso aos principais ministérios do país, em Jerusalém, por uma diplomata que se identificou como gremista fiel, a ex-embaixadora israelense no Brasil, Tzipora Rimon. A diplomata, que representou Israel no Brasil até o ano passado, fez sua primeira visita oficial a um estado brasileiro, há quatro anos, ao Rio Grande do Sul, o que marcou suas preferências clubísticas no país. Mesmo trabalhando hoje no departamento europeu da chancelaria israelense, Tzipora tratou de receber a comitiva gaúcha, que iniciou neste domingo, dia de trabalho normal em Israel, sua agenda oficial pelo Ministério da Indústria, Comércio e Trabalho.
O grupo, liderado pelo secretário do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais do Rio Grande do Sul, Márcio Biolchi, reuniu-se com a Diretora do Centro de Promoção aos Investimentos da pasta, Rachel Roei-Rothler, que anunciou uma visita ao Brasil, nas próximas semanas, do presidente israelense, Shimon Peres, acompanhado de uma comitiva de 40 empresários. A diretora detalhou a política israelense de atração de investimentos, especialmente na área de alta tecnologia, que tem entre seus principais instrumentos as estratégias estabelecidas pelo Departamento do Cientista-chefe, um órgão presente em quase todos os ministérios israelenses, sendo que o da Indústria, Comércio e Trabalho abriga os mais importantes e eficientes projetos.
Envolvendo incentivos como isenções fiscais para capital de risco ou para empresas iniciantes na área de tecnologia e pagamento de 50% dos salários por até quatro anos para que novas empresas do setor com 15 a cem funcionários se instalem em regiões do Sul e do Norte do país, Israel posicionou-se no primeiro lugar do ranking de países que mais investem em pesquisa e desenvolvimento e em segundo lugar no dos que obtêm mais sucesso na transferência de conhecimento entre universidades e empresas. O resultado é a atração de recursos de empresas como a Intel, que hoje tem mais de 7 mil funcionários no país e gerou a criação de outras 30 pequenas firmas, ou como a Scandisk, que comprou por 1,5 bilhão de dólares a M-Systems, empresa israelense que desenvolveu o pen-drive. Hoje, 90% do capital de risco investido no país vem do exterior. "Israel está vendendo conhecimento", comentou Suzana Kakuta, diretora de Inovação e gestora executiva do Parque Tecnológico de São Leopoldo (Tecnosinos), que integra a Missão, ao observar os valores dos recursos aplicados no país por empresas como a Microsoft, Cisco, Motorola, IBM ou Google.
Shmuel Yerushalmi, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Israel-Brasil, que participou ativamente na aplicação dos instrumentos de incentivo à alta tecnologia em Israel, observou que as mais de 20 incubadoras de empresas que o país possui são responsáveis por boa parte do crescimento obtido na área. Hoje, lembrou, o país tem um volume total de 54 bilhões de dólares anuais em exportações, sendo que, destes, 18 bilhões são de alta tecnologia. Explicou que a legislação israelense permite que o governo possua, por exemplo, um fundo de 400 milhões de dólares que garante a participação pública em até 50% do capital de empresas saídas das incubadoras, resultando que, desde 1991, 1,1 mil empresas tenham nascido de 1,3 mil projetos apoiados. O secretário Márcio Biolchi avaliou como entusiasmantes os dados apresentados à Missão, assinalando que o RS quer buscar investimentos que não se resumam a dinheiro, mas que representem principalmente acesso a conhecimento e à formação de mão de obra qualificada. Lembrou que a vinda da Missão a Israel é só um dos itens de uma extensa agenda que propiciará o crescimento sustentado das relações econômicas entre Israel e o Rio Grande do Sul.
Tecnologia WiMax
A tecnologia WiMax, que integra telefonia celular, residencial, dados e voz sobre IP em banda larga, foi apresentada à comitiva gaúcha por dirigentes da empresa Runcom Tech, situada na cidade de Rishon Le'Zion, próxima a Tel Aviv. Israel Koffman, vice-presidente de Marketing da empresa, esteve no Brasil durante a semana passada gestionando a liberação pela Anatel da nova tecnologia, que concorre com outras, como a GSM, pelo mercado de telefonia celular. Para mostrar as vantagens do sistema desenvolvido pela empresa, que tem parceiras brasileiras como a gaúcha Parks, os dirigentes da Runcom demonstraram para o grupo, em um veículo transitando pelas ruas da c idade, o uso do WiMax para transmissão de dados diretamente para um PC, um telefone com voz sobre IP, mais barato que o convencional, e até mesmo a transmissão de filmes e canais de TV pelo mesmo sinal, a partir de uma rádio-base que usa o sistema, além de câmeras de segurança que transmitem diretamente para celulares ou outros equipamentos sem a utilização de fios. A empresa, que já utiliza a WiMax em operadoras de telefonia nos Estados Unidos e Ásia, espera que em breve ocorra a liberação no Brasil. A Runcom já possui parcerias com empresas como a Embratel, que está se preparando para adotar a nova tecnologia no país.
Missão gaúcha visita Israel
Presidente israelense, Shimon Peres, deve vir ao Brasil nas próximas semanas