"Como achamos que o rating provavelmente não voltará para AAA (se houver falta de pagamento), podemos rebaixá-los no dia seguinte", disse Hess em uma entrevista. Um dos cenários que ele prevê, no caso de os EUA deixarem de pagar qualquer dívida, seria o rebaixamento na nota do país em um grau e a atribuição de perspectiva negativa para o rating, isso apenas um dia depois do evento.
Essa revisão daria tempo para a Moody's analisar os potenciais efeitos de longo prazo sobre a dívida norte-americana, segundo Hess. As questões de longo prazo incluem o impacto da falta de um pagamento sobre os custos futuros de empréstimo e mudanças regulatórias implementadas para evitar futuros defaults. Hess salientou que a Moody's ainda não crê que o governo dos EUA deixará de pagar sua dívida.
Na última quarta-feira, a agência anunciou que colocou em revisão para potencial rebaixamento o rating soberano dos EUA, citando como motivo a possibilidade de o limite de endividamento do governo federal norte-americano não ser elevado em momento oportuno e, dessa forma, levar o país a declarar default em suas obrigações de dívidas.
A Moody's informou que também colocou os ratings de instituições financeiras diretamente ligadas ao governo dos EUA em revisão para potencial rebaixamento. Entre elas, estão a Fannie Mae e a Freddie Mac. "A revisão no rating dos bônus do governo dos EUA foi provocada pela possibilidade de o teto de endividamento não ser elevado a tempo de evitar a ausência de pagamento dos juros ou do principal de bônus e notas pendentes. Portanto, há um pequeno, porém crescente, risco de um default de vida curta", disse a agência.
Depois do anúncio, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China Hong Lei, fez uma declaração pedindo para que o país adotasse medidas mais responsáveis a fim de proteger os interesses dos investidores nos Treasuries. A China é o maior investidor estrangeiro em títulos dos EUA. Nesta quinta-feira, as bolsas europeias abriram em queda devido ao alerta da Moody's.
Em abril deste ano, outra agência de classificação de risco, a Standard & Poor's, havia reafirmado o rating de crédito soberano de longo prazo AAA dos EUA e anunciado que reduziu a perspectiva da classificação de estável para negativa. "Mais de dois anos depois do começo da crise recente, os formadores de política dos EUA ainda não chegaram a um acordo sobre como reverter a recente deterioração fiscal ou solucionar as pressões fiscais de longo prazo", comentou na ocasião Nikola Swann, analista de crédito da S&P.
"Tiro no pé"
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, exortou os congressistas americanos a não "atirar no próprio pé" ignorando as advertências das agências de classificação de risco. "É extremamente importante manter a confiança do mundo", declarou Bernanke diante do Comitê bancário do Senado em Washington. "A qualidade e a reputação dos títulos do Tesouro são vantagens formidáveis para os Estados Unidos e, por isso, nos beneficiamos de taxas de juros baixas", lembrou Bernanke.
No momento em que a recuperação da economia americana continua a um ritmo muito lento e o desemprego mantém-se em um nível elevado, a perda provocaria nos Estados Unidos "uma alta das taxas de juros, incerteza" e "seguramente" um aumento do desemprego, advertiu.