Economia

Movimento de quedas e desacelerações no atacado levou à taxa menor do IGP-M de abril

Índice caminha para uma taxa menor do que a de março, diz coordenador da FGV

Um movimento espalhado de quedas e desacelerações de preços no atacado levou à taxa menor da primeira prévia do IGP-M de abril, que subiu 0,27% após avançar 0,95% em igual prévia do mesmo indicador em março. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros, os destaques ficaram por conta de taxa de inflação menos intensa em bens intermediários (de 1,27% para 0,04%); e no retorno à deflação nos preços das matérias-primas brutas (de 2,13% para -0,26%), no mesmo período.

O IGP-M de abril caminha para uma taxa menor do que a de março, quando subiu 0,94%, na análise de Quadros. "Neste exato momento, o que vemos é um movimento bastante abrangente de desacelerações de commodities industriais e agrícolas, e isso deve prosseguir", afirmou o economista.

No entanto, Quadros fez uma ressalva. Embora o quadro geral de produtos e serviços pesquisados pela fundação mostre um cenário de inflação menos intensa, no momento, ele voltou a lembrar que os indicadores inflacionários dos meses de abril e maio poderão sofrer o impacto do reajuste no preço do minério de ferro. Este produto agora conta com mais peso na formação da inflação atacadista, devido à atualização de ponderações realizada pela FGV este ano entre os produtos pesquisados no atacado. Entretanto, comentou que ainda resta saber quando exatamente o aumento será repassado, para assim mensurar qual exatamente será a influência que exercerá nos Índices Gerais de Preços (IGPs), que possuem períodos diferentes de coletas de preços. "O minério de ferro é um fator que vai definir uma taxa (de IGP), mas resta saber quando entrará em vigor", afirmou.

Materiais de manufatura levam a queda entre os bens intermediários

De acordo com ele, os preços de bens intermediários foram derrubados por materiais para manufatura, que agora mostra deflação (de 1,88% para -0,12%). O técnico lembrou que, por conta da recuperação gradual da economia mundial, preços de commodities industriais e agrícolas mostraram expressivos avanços no primeiro trimestre deste ano. Mas agora estes movimentos de alta começam a mostrar arrefecimento. Ele explicou que os preços dos insumos industriais estão oscilando em movimentos de "ondas", e agora se encontram em um patamar mais baixo.

Quadros não descartou a possibilidade de um novo movimento de aceleração nos preços deste segmento, no futuro. Entre os exemplos de produtos que estão subindo menos de preço, ou até mesmo apresentando deflação estão fios com fibras artificiais e sintéticas (de 12,39% para 0,67%); e alumínio não ligado em formas brutas (de 21,69% para -4,09%).

No caso das matérias-primas brutas, um dos produtos que mais influenciaram o retorno à deflação no segmento foi a laranja, que voltou a mostrar queda de preços (de 29,34% para -12,73%). Este item agora conta com uma melhor perspectiva de oferta, após notícias sobre quebra de safra na Flórida (EUA).

O coordenador da FGV admitiu também que a desacelerações de preços no varejo (de 0,43% para 0,28%) também ajudou, em parte, na formação da taxa menor da primeira prévia de abril. "Mas os preços no atacado tiveram muito mais peso na desaceleração da primeira prévia do que os preços ao consumidor", acrescentou.

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