Economia

Não há desejo no BC de diminuir circulação de moeda, mas é algo natural, diz Campos Neto

Durante evento, presidente do Banco Central ainda falou sobre inflação e autonomia da instituição

Campos Neto reforçou que BC vai perseguir a meta de inflação
Campos Neto reforçou que BC vai perseguir a meta de inflação Foto : Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil / CP

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta segunda-feira, 21, que a instituição não tem o objetivo de diminuir a circulação de moeda, mas encara esse resultado como um processo natural.

“À medida que a tecnologia avança na intermediação financeira, a tendência é que o uso de dinheiro físico diminua”, afirmou ele durante um evento da 20-20 Investment Association, em São Paulo.

"Não é nosso objetivo não ter dinheiro. Nosso objetivo é ter mais opções para as pessoas fazerem coisas de forma mais barata, mais segura e mais competitiva", ressaltou.

Campos Neto ainda ponderou que a inflação do Brasil tem seguido um processo de convergência, mas citou preocupações com a desancoragem das expectativas e de métricas como as inflações implícitas no mercado.

Ele reforçou que a autarquia vai perseguir a meta de inflação. "Porque vimos essa grande desancoragem, porque vimos muitas das coisas já mencionadas aqui, o Banco Central decidiu que era hora de começar o ciclo de aperto", afirmou.

Para Campos Neto, crescimento da economia brasileira tem surpreendido e que parte desses bons resultados parecem refletir a expansão fiscal. Em contrapartida, os repetidos resultados positivos do mercado de trabalho também indicam alguma mudança mais estrutural, possivelmente refletindo as reformas aprovadas nos últimos anos, afirmou.

"Quando você olha para o rendimento real e para tudo que realmente pode nos dizer um pouco sobre o que será o cenário para a inflação de serviços, os números são preocupantes", ele disse. "Estamos observando isso de perto e decidimos não dar um guidance para a próxima reunião, porque queríamos ter tempo de analisar o cenário."

Autonomia do Banco Central

Campos Neto novamente defendeu que a autarquia passe a ter autonomia financeira. Para ele, o Banco Central precisaria de três dimensões de autonomia para ser independente.

"Você precisa ter autonomia operacional, você precisa ter autonomia administrativa, e você precisa ter autonomia financeira. E ele tinha uma nota abaixo disso, dizendo que o risco de não ter uma é acabar com nenhuma", afirmou Campos Neto. "Às vezes, se você tem autonomia operacional, mas não tem autonomia financeira, você pode ficar asfixiado na parte financeira."

Ele repetiu que a aprovação da autonomia operacional do BC foi um ganho importante inclusive para que a autoridade monetária pudesse aumentar os juros em um ano eleitoral.

Veja Também

Empreendedoras Braskem forma sua quarta turma no RS

O programa é voltado para mulheres que desejam criar ou profissionalizar um pequeno negócio