O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou em evento do Grupo Bradesco para clientes e investidores que o governo não pode fazer nenhuma mudança abrupta na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). A TJLP está presente em diversos contratos, especialmente em programas subvencionados do governo federal através do BNDES.
Dito isso, Levy explicou que está em análise uma mudança na TJLP. O ministro afirma que a alteração é necessária dada a discrepância entre essa taxa - desde dezembro, estabelecida em 5,5% ao ano - e a taxa básica de juros, a Selic - desde a semana passada, em 12,25% ao ano. Levy argumentou que não pode haver essa grande dualidade no mercado.
Segundo o governo, o estoque de contratos de financiamento não é afetado por mudanças na taxa de longo prazo. Ou seja, a taxa da TJLP presente nos contratos antigos será respeitada. Levy afirmou ainda que, à medida que a sociedade e o empresariado tiverem consciência do resultado fiscal e também da tendência sobre a inflação, o crédito voltará ao mercado.
Falando em um contexto sobre a relação entre confiança e disposição para investimentos, o ministro afirmou que "as PPPs (parcerias público-privadas) crescem à medida que se tem confiança no longo prazo". Sobre o esforço fiscal capitaneado por sua equipe, Levy afirmou que antes de impor novos impostos, o governo tratará de reduzir despesas. "Nosso objetivo é cortar gastos antes de começar a pensar em novos impostos", afirmou Levy.
Petróleo
Quando discorria sobre cenário internacional, Levy afirmou que o preço do petróleo mais baixo é um "choque altamente positivo" para o Brasil.
ICMS
Durante a sessão de perguntas e respostas no encontro, Levy afirmou que o governo apoia o projeto que propõe a alteração no ICMS. Ele disse, contudo, que "não cabe ao governo opinar sobre ICMS, mas o projeto (que tramita no Congresso Nacional) é bom para o equilíbrio da economia".
Levy: não é intenção manter o câmbio artificialmente valorizado
"A economia (brasileira) tem funcionado mais por conta própria do que com apoio do governo." A frase poderia ter partido do meio empresarial. Mas foi dita nesta sexta-feira, 30, pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em evento para clientes e investidores do grupo Bradesco em São Paulo.
O ministro mencionou a questão cambial ao responder pergunta de economista do Bradesco sobre como o governo planeja contribuir para a indústria brasileira, especialmente a que exporta, conseguir se reerguer.
Levy afirmou que o câmbio é uma variável que não se pode controlar com facilidade e afirmou não ter a intenção de manter o câmbio "artificialmente valorizado". "Não faremos grandes operações no câmbio", disse.
Nesse contexto, Levy afirmou que o empresariado não deve contar com medidas do governo no câmbio para ganhar competitividade. A respeito das contribuições do governo, o titular da Fazenda afirmou que o governo vai "focar muito" na infraestrutura, na área de portos.
Não podemos fazer mudança abrupta nos juros de longo prazo, diz Levy
Ministro da Fazenda encara baixa do preço do petróleo como "choque altamente positivo" para Brasil