Economia

"Não podemos aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil", diz Lula em reunião ministerial

Presidente criticou tarifas anunciadas e afirmou que o país não aceitará pressões externas

Durante o pronunciamento, Lula afirmou ainda que o governo brasileiro seguirá defendendo o multilateralismo e a soberania nacional
Durante o pronunciamento, Lula afirmou ainda que o governo brasileiro seguirá defendendo o multilateralismo e a soberania nacional Foto : MICHAEL DANTAS / AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com ministros nesta quarta-feira, 3, no Palácio do Planalto, para alinhar a resposta do governo às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

Durante encontro, afirmou que "não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana", criticou as justificativas apresentadas por Washington para as medidas e disse ter sido surpreendido pelo anúncio em meio às negociações em andamento entre os dois países.

Durante o pronunciamento, Lula afirmou ainda que o governo brasileiro seguirá defendendo o multilateralismo e a soberania nacional diante da escalada das tensões comerciais entre os dois países.

"A nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante."

O presidente também destacou que o Brasil vinha buscando uma solução negociada para as divergências comerciais e criticou as alegações de déficit comercial apresentadas pelos Estados Unidos para justificar parte das medidas.

Surpresa diante do anúncio de novas taxas

Segundo Lula, a reunião ministerial teve como objetivo alinhar a posição do governo diante da crise. De acordo com ele, a mensagem é de que o Brasil não aceitará interferências ou pressões externas.

"O Trump foi eleito pelo povo americano e eu respeito o resultado eleitoral. Eu fui eleito pelo povo brasileiro, e eles têm que respeitar”, disse. "Eu não fui eleito imperador da América Latina, e muito menos o Trump foi eleito imperador do mundo”, continuou.

Lula também afirmou ter sido surpreendido pelo anúncio das possíveis tarifas, já que, segundo ele, ainda está em vigor o prazo de 30 dias acordado entre os dois presidentes em encontro recente para a continuidade das negociações.

"Saí de lá convencido que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento."

Lula diz que Rubio é “latino americano frustrado”

Durante o pronunciamento, o petista também voltou a criticar o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao dizer que ele não gosta da América Latina e que este disse que EUA estão fazendo América Latina próxima, menos Nicarágua, Cuba e Brasil.

“Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil ele é um latino-americano frustrado, não sei se ele nasceu em Cuba, parece que ele é filho de pessoas que nasceu em Cuba”, completou.

“Traição da pátria”

O presidente ainda criticou brasileiros que, segundo ele, estariam estimulando o conflito entre os dois países por interesses políticos internos.

"É triste que tem brasileiros fomentando essa briga. Na perspectiva de que se ele taxar a gente, vai prejudicar um candidato da República."

Ao abordar o tema, Lula voltou a mencionar a expressão "traição da pátria", usada por ele em declarações recentes sobre integrantes da família Bolsonaro. Durante pronunciamento na terça-feira, em um evento em Goiás, Lula disse que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro seriam “traidores” e “piores do que ele”.

Novos parceiros comerciais e disputa por terras raras

O presidente também afirmou que o Brasil buscará novos mercados e parceiros comerciais caso os Estados Unidos reduzam investimentos ou dificultem as relações econômicas.

"Se não quiser investir aqui, vamos procurar outro. O que tem que saber é que o Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano."

Lula ainda citou a importância estratégica das terras raras e dos minerais críticos brasileiros, afirmando que o país possui ativos considerados essenciais para a economia global.

"Nós resolvemos decidir que esse país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Não somos melhor do que ninguém, mas também não somos pior."

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