O denso nevoeiro que atingiu a Região Metropolitana entre a madrugada e o final da manhã de hoje representou sérios prejuízos ao transporte aéreo e também à navegação. Para a Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), as neblinas de longa duração sempre são preocupantes. Embora as grandes embarcações naveguem por instrumentos, com auxílio de GPS e ecobatímetro, nem todos os comandantes se arriscam em seguir viagem em situações adversas. “Mesmo com esses equipamentos, navegar sem visibilidade é complicado”, sintetizou o diretor-superintendente da SPH, Gilberto Cunha. Segundo ele, a neblina dificulta a visualização das boias que sinalizam os 80 quilômetros de canais artificiais existentes entre Porto Alegre e Rio Grande.
“Esses canais localizados na Lagoa dos Patos possuem 5,18 metros de calado. Se porventura uma embarcação sair da área balizada, existem sérios de riscos de encalhe”, advertiu. Cunha revelou que muitos comandantes temem que a falta de visibilidade possa ocasionar um choque entre embarcações. “Há quem opte por navegar com nevoeiro, mas existem os cautelosos que preferem atracar e aguardar”, assinalou.
O diretor-superintendente da SPH afirmou que a cerração pode representar prejuízos à economia do Estado. Se porventura um navio carregado com produtos para exportação chegar atraso no Porto de Rio Grande do Sul corre o risco de não conseguir embarcar as mercadorias. “As embarcações internacionais cumprem os horários à risco. Não esperam e tampouco retardam as partidas”, frisou. Segundo ele, há casos de cargas que foram embarcadas com uma semana de atraso.
No Aeroporto Internacional Salgado Filho, das 40 decolagens programadas das 6h15min às 11h40min, 12 foram canceladas e 18 registraram atrasos superiores a 30 minutos. Em igual período, das 28 aterrissagens previstas, 11 foram suspensas e 15 atrasaram. A neblina, inclusive, retardou a chegada, em Porto Alegre, dos representantes do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, liderados pelo arquiteto Carlos de La Corte, que veio ao Rio Grande do Sul, procedente de São Paulo, para vistoriar o estádio Beira-Rio.
Devido à reduzida visibilidade, a Polícia Rodoviária Federal e o Comando Rodoviário da Brigada Militar reforçaram o patrulhamento nas principais rodovias da região, com ênfase para as RSs 040 e 118 e BRs 116 e 290. Os motoristas que cruzavam pelo vão móvel nas primeiras horas da manhã não conseguiam avistar as águas do Guaíba. Tampouco enxergavam o topo dos prédios mais altos do Centro, incluindo os edifícios-sede da Caixa Econômica Federal e Banrisul, localizados na Praça da Alfândega. A chaminé da Usina do Gasômetro também sumiu temporariamente por conta da névoa que custou a se dissipar.
Nevoeiro causa prejuízos para a navegação no Estado
Neblina também dificultou a visibilidade na região urbana da Grande Porto Alegre