Carney, concordando com as preocupações da S&P, disse que o processo que envolveu o recente acordo sobre o déficit fiscal "levou muito tempo e, por vezes, apresentou muita dissensão". "Precisamos fazer melhor para tornar claros o compromisso, vontade e capacidade de nossa nação para enfrentar nossos grandes desafios fiscal e econômico", disse.
Questão fiscal determinou corte
Os longos meses de disputa política para elevar o teto da dívida dos EUA foi um fator-chave para o rebaixamento da nota de crédito do país, disseram representantes da Standard & Poor''s neste sábado. Eles questionaram se os políticos norte-americanos poderiam trabalhar juntos para solucionar os problemas fiscais.
John Chambers, chairman do comitê de ratings soberanos da S&P, disse em teleconferência que a agência projeta que os encargos da dívida dos EUA vão continuar subindo por algum tempo, apesar do recente acordo para cortar os gastos em pelo menos US$ 2,1 trilhões nos próximos dez anos. Embora novos passos pelos políticos dos EUA para reduzir os déficits possam melhorar a perspectiva e levar a S&P a reavaliar oo país, o recente embate político sobre o teto da dívida sugere que isso seja improvável, afirmou Chambers.
"O governo dos EUA não tem a mesma capacidade proativa para chegar a soluções de longo prazo que coloquem as finanças públicas numa base firme", acrescentou Chambers. Na sexta, a S&P rebaixou o rating da dívida de longo prazo dos EUA para AA+, na primeira vez em 70 anos em que os títulos do Tesouro norte-americano perderam a classificação AAA.
David Beers, chefe global de ratings soberanos da S&P, disse que a disfunção política em Washington foi um componente importante para a decisão da agência, com o risco político recebendo um peso maior do que a perspectiva fiscal dos EUA. O rating AAA do país era "incompatível" com as questões fiscais e políticas quando comparado a outros emissores soberanos com a classificação máxima, disse.
"É seguro dizer que a natureza do debate e a dificuldade em engendrar um consenso político sobre como fazer mudanças na política fiscal foram as considerações-chave para a decisão", disse Beers. As informações são da Dow Jones.