Em entrevista a jornalistas após o evento, Mantega fez questão de ressaltar que não "defende o aumento do endividamento", mas que a família brasileira tem espaço para aumentar o endividamento comprando, por exemplo, um imóvel. "Com o boom de construção, o consumo do Brasil está mais propenso a pensar na casa própria", explicou.
O ministro disse que não vê, porém, o risco de uma bolha imobiliária no Brasil, como ocorreu nos Estados Unidos e outras economias avançadas. "Estamos a quilômetros de distância do endividamento dos países avançados", reforçou o ministro.
Crescimento
Mantega também afirmou que sua estimativa é de que o Brasil deve crescer 7,5% este ano. A projeção anterior da Fazenda era de que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) poderia ficar, na ponta mais baixa das projeções, em 6,5%, e na mais alta, em 7,5%. Para o Banco Central, o País deve registrar crescimento de 7,3%.
"Devemos ter um crescimento de 7,5%, o maior crescimento em 25 anos", disse o ministro. "Para 2011, com a redução dos estímulos, a economia mundial vai crescer menos e estamos projetando crescimento de 5,5% da economia brasileira", acrescentou Mantega a uma plateia que incluía ainda analistas brasileiros e a ex-ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello.
O ministro lembrou que o mercado interno tem sido um dos responsáveis pela taxa atual de crescimento da economia brasileira. "A demanda é uma das responsáveis por essa taxa de crescimento", afirmou. "É um novo patamar de crescimento que veio para ficar", explicou Mantega.
Câmbio
Mantega não descartou que novas medidas possam vir a ser adotadas para conter o fluxo de capital estrangeiro e a valorização do real, mas ressaltou que ainda é cedo para avaliar a eficácia do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% para 4% para capital estrangeiro. O ministro lembrou que no ano passado o governo reintroduziu a alíquota de 2% e obteve resultados positivos. "Agora nós fizemos essa medida ainda no período de capitalização da Petrobras. Esperei na verdade também o primeiro turno das eleições para não trazer nenhuma interferência", afirmou.
"De fato, continua havendo alguma valorização do real. Só não sabemos se é efeito da desvalorização do dólar (no mundo) ou o ingresso de recursos estrangeiros que continua. E não sabemos quanto o real teria valorizado sem as medidas. Temos de esperar mais tempo para ver a eficácia", explicou Mantega.
Segundo ele, caso os instrumentos adotados pelo governo até agora para segurar a alta do real, como IOF e compras de reservas internacionais, se mostrem insuficientes, a Fazenda irá pensar "em outras medidas". O ministro não comentou, no entanto, nenhuma possível nova medida, como a viabilidade de uma retomada dos leilões de swap reverso cambial. Algumas outras possibilidades seriam aumento do ritmo de compras de reservas ou aumento adicional do IOF, que nos anos 90 chegou a 9%, antes de ser extinto naquela década. "Não divulgamos medidas futuras", repetiu Mantega.
Crédito
O ministro confirmou que o governo deve anunciar em cerca de 20 dias medidas para melhorar o crédito privado de longo prazo no Brasil, conforme havia adiantado o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, à Agência Estado, na última sexta-feira.
Segundo Mantega, trata-se de "um bom sinal" a ser dado ao mercado, pois o aumento do papel do BNDES desde o início da crise, e mesmo após a retomada da economia, tem sido apontado como uma fonte de preocupação de analistas e investidores, especialmente caso a candidata do governo Dilma Rousseff seja eleita. "É um bom sinal. Significa que o BNDES vai abrir espaço para o setor privado", disse o ministro a jornalistasl.