Os deputados franceses reiteraram nesta quinta-feira (28) sua oposição ao acordo comercial negociado entre a União Europeia (UE) e o bloco sul-americano do Mercosul, antes de votações chave a nível europeu a partir de dezembro.
Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, pelo Mercosul, e a Comissão Europeia alcançaram no final de 2024 um acordo comercial que preocupa os agricultores franceses. O tratado ainda precisa ser ratificado antes de entrar em vigor. Do lado europeu, é necessária a aprovação do Conselho da UE, que reúne os 27 países do bloco, e do Parlamento Europeu para sua implementação.
França não pode bloquear sozinha
A França por si só não pode bloquear o acordo no Conselho da UE, já que sua adoção requer uma maioria qualificada. Bruxelas espera que este sinal verde chegue em dezembro. No entanto, sua aprovação por parte do Parlamento Europeu se anuncia mais disputada.
Por unanimidade, a Assembleia Nacional (câmara baixa) aprovou uma resolução impulsionada pelo partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI) que insta o governo francês a se opor à adoção.
Diante dos parlamentares, o ministro para a Europa, Benjamin Haddad, reiterou a posição da França: "O acordo tal como foi concluído em 2024 não é aceitável em seu estado atual".
Mas ele sublinhou que obteve um "feito", um fortalecimento das cláusulas de salvaguarda por parte da Comissão Europeia, e apelou para que sejam adotadas rapidamente antes de qualquer voto sobre o acordo UE-Mercosul.
"Este avanço, que é útil e necessário, não é suficiente hoje em dia. Não é suficiente", acrescentou Haddad, que recordou outros dois pedidos: cláusulas "espelho" para garantir a equidade de normas, e controles sanitários mais rigorosos.
Preocupações de agricultores
O tratado de livre comércio busca favorecer as exportações de automóveis, maquinaria e vinhos europeus para os países do Mercosul, em troca de facilitar a entrada de carne, açúcar, arroz ou soja sul-americanos.
Os agricultores franceses temem que seu mercado seja inundado de produtos agrícolas do Mercosul, vistos como mais competitivos. A Comissão Europeia, no entanto, prometeu intervir em caso de desestabilização do mercado.