A decisão faz parte das "ações prioritárias" contempladas na lei de 12 de fevereiro que prevê uma redução de gastos de 3,2 bilhões de euros em 2012, uma exigência dos parceiros da Grécia para conceder novos créditos e evitar a quebra do país. "É dramático reduzir pensões, mas o governo foi obrigado diante de um orçamento deficitário", explicou o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, admitindo que o país pode sair da zona do euro, o que seria "catastrófico".
A medida prevê reduzir em 12% as pensões do setor público superiores a 1,3 mil euros, e em entre 10% e 20% as pensões complementares superiores a 200 euros. A decisão se soma à redução de 10% nas pensões do setor adotada no primeiro pacote de medidas de austeridade em 2010, ano do início da crise grega, em troca de um empréstimo da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 110 bilhões de euros.
O novo projeto de lei compreende também uma redução de 10% nos salários dos dirigentes locais (prefeitos e vice-prefeitos), assim como a fusão de órgãos públicos. O texto coloca, ainda, uma revisão do orçamento para 2012, cujo déficit passa a 6,7% do PIB, contra a previsão inicial de 5,4%. A lei base de 12 de fevereiro traz uma redução do salário mínimo de 22% (que passa a 586 euros), e de 32% para o mínimo dos jovens com menos de 25 anos.
Pressionada pelos credores, a Grécia trata de adotar em tempo recorde as medidas exigidas para a concessão de novos créditos. Nesta quinta-feira, a cúpula europeia prevê analisar, em Bruxelas, as iniciativas impostas a Atenas antes de dar sinal verde ao crédito de 130 bilhões de euros, em três anos. O gigantesco resgate pretende evitar que o país se declare em "default" no próximo dia 20 de março, data em que vence uma dívida de 14,5 bilhões. A longo prazo, os créditos pretendem garantir a sustentabilidade da gigantesca dívida grega (350 bilhões de euros), com redução dos atuais 160% do PIB para 120% em 2020.