O número de gaúchos com contas em atraso também apresentou queda, chegando a 31% dos entrevistados – no mês passado, o percentual era de 51%. No entanto, aqueles que acreditam que não terão condições de quitar seus débitos nos próximos 30 dias subiu de 8% para 13% neste mês. Na comparação anual, o au-mento foi de 7 pontos percentuais. “Se uma família responde que não tem capacidade de pagamento, não quer dizer que ela não vai pagar suas dívidas, mas que nos próximos 30 dias não terá capa-cidade de honrar a totalidade de seus compromissos”, esclareceu o presidente do Sistema Fecomércio, Zildo De Marchi.
Na visão dele, essa elevação já era esperada. “A maior parte das famílias tem dívidas vinculadas a tipos de crédito que, em atraso, são muito caras. Quando se passa por um aperto monetário como o vivido atualmente, decorrente do aumento da (taxa) Selic, esses juros se tornam ainda maiores”, explica, lembrando que as com-pras do Dia das Mães e do Dia dos Namorados também colaboram para o quadro. “Além disso, a aceleração inflacionária percebida desde o fim do ano passado comprometeu um percentual maior do orçamento das famílias, contribuindo para a piora nesse indicador.”
Na comparação com o mesmo período do ano passado, verifica-se uma elevação de 11 pontos percentuais na quantidade de famílias com pagamentos em andamento e uma queda de 5 pontos percentuais nas contas em atraso. “O percentual de famílias endividadas tem aumentado desde a metade do ano passado como reflexo da diminuição da taxa de desemprego a taxas históricas e aumento da renda real. Esses dois elementos colaboraram para elevar a confiança dos consumidores e, com isso, a sua propensão a contrair dívidas”, explica De Marchi.
Segundo a pesquisa, o percentual de famílias endividadas é maior entre aquelas que ganham mais de dez salários mínimos (81%) do que entre os que ganham menos de dez salários mínimos (74%). O cartão de crédito continua sendo o principal tipo de dívida (83,9%), seguido pelos carnês (38,6%) e pelo cheque especial (24,3%).