Economia

Perdas nas vendas já chegam a R$ 2,4 bilhões

Cálculo de lojistas é preliminar e tendência é valor ficar maior. Em situação ‘normal’, faturamento de maio alcançaria R$ 12 bi

Chuvas e enchentes durante o mês passado no Rio Grande do Sul levaram danos a estabelecimentos
Chuvas e enchentes durante o mês passado no Rio Grande do Sul levaram danos a estabelecimentos Foto : Mauro Schaefer

Um estudo preliminar divulgado ontem pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS) mostra que o comércio gaúcho poderá registrar, considerando-se apenas o mês de maio, perdas numa quantia de R$ 2,4 bilhões em vendas. O cálculo dos prejuízos está relacionado com as inundações que atingiram o Rio Grande do Sul durante o mês passado e que ainda trazem consequências para quase todas as regiões do Estado.

Essa projeção, de acordo com os lojistas, poderá ser ampliada a partir do momento em que os comerciantes conseguirem dimensionar com mais exatidão os prejuízos que tiveram, uma vez que muitos deles nem mesmo puderam avaliar todos os estragos em seus estabelecimentos. Com relação ao patrimônio, a projeção é de perdas na casa dos R$ 3,5 bilhões, considerando-se itens como os próprios estoques de mercadorias, equipamentos, instalações e, em muitos casos, as lojas em sua totalidade invadidas pelas águas.

“A projeção feita pela Federação deverá crescer de forma impactante nos meses futuros porque iremos passar por todo o processo de contabilização dos danos e da reconstrução das lojas, além da reposição dos estoques e dos equipamentos. No que se refere somente ao mês de maio, existia uma perspectiva, de acordo com dados do IBGE”, assinalou o presidente da entidade, Vitor Augusto Koch, enfatizando que em condições normais o comércio gaúcho venderia em torno de R$ 12 bilhões no período pesquisado.

O impacto das cheias e chuvas sobre o comércio se estenderá por mais alguns meses no Rio Grande do Sul, o que impedirá que seja concretizada uma estimativa de vendas no total de R$ 144 bilhões que era calculada para todo o ano de 2024. A previsão foi feita a partir de um levantamento realizado pelo consultor de Economia da FCDL-RS, economista e professor da Escola de Negócios da PUCRS, Gustavo Inácio de Moraes.

“É frustrante observarmos que milhares de colegas lojistas tiveram as suas trajetórias interrompidas de maneira gigantesca. O comércio é uma das molas propulsoras da economia gaúcha, tendo nos micro e nos pequenos estabelecimentos comerciais a sua sustentação maior. E justamente os negócios desses portes, os maiores geradores de emprego e renda do setor, foram os mais afetados”, acrescentou Vitor Koch. “Por isso, todas as ações governamentais que forem implementadas para amenizar essa grave crise serão fundamentais para reerguer o comércio gaúcho”, analisou ainda o dirigente da Federação.

O presidente da FCDL-RS igualmente considerou que será preciso “celeridade” na recuperação do Rio Grande do Sul. “Além da necessidade de munir as pessoas dos recursos necessários para reconstruírem os seus lares e os seus negócios, o apoio aos setores econômicos atingidos é urgente”, ressaltou. “O comércio, por exemplo, é a principal atividade econômica da maioria dos municípios do Estado e deve ser apoiado com intensidade nesse momento. Tendo condições de se restabelecer, os comerciantes irão desempenhar um papel importantíssimo na recuperação do Rio Grande do Sul”, concluiu Koch.

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