Os gaúchos estão confiantes nas perspectivas positivas para a economia nacional, o que deve manter alto o patamar de consumo. A previsão está nos dados apresentados pela pesquisa Intenção de Consumo das Famílias (ICF) para o mês de março, divulgada, nesta quinta-feira, pela Fecomércio/RS. O levantamento demonstrou que o índice do Rio Grande do Sul ficou em 127,8 pontos, dentro de um escore que varia de zero até 200 pontos – sendo considerado pessimismo abaixo de 100 e otimismo acima de 100.
“A queda de 4,9% em relação a fevereiro não demonstra tendência de reversão da expectativa positiva, até porque mantendo-se acima dos 120 pontos, podemos considerar que existe um forte otimismo por parte das famílias gaúchas”, avaliou o economista da entidade Pedro Ramos. Ele salientou que essa redução não está condizente com a criação de vagas no mercado de trabalho, que dá ao trabalhador uma perspectiva futura melhor. Ramos lembrou que, somente no primeiro bimestre do ano, foram criados mais de 38 mil postos com carteira assinada no Estado. Tanto que, na avaliação sobre a perspectiva profissional, a pontuação ficou em 145,2.
“Esse número demonstra que os consumidores ainda enxergam uma melhoria significativa na empregabilidade e na sua carreira profissional”, disse o economista, enfatizando que nenhum dos sete quesitos teve resultado inferior a 112,3 pontos (nível de consumo atual), considerado ainda longe da linha que separa uma previsão otimista de uma visão pessimista sobre o desenvolvimento econômico do País.
O número que representa a maior pontuação da pesquisa é o que se refere ao momento para consumo de bens duráveis (147,3 pontos). Na avaliação do economista da Fecomércio/RS, ainda reflete um momento único, em que o benefício da redução tributária do IPI impactou positivamente. “Boa parte dos bens duráveis caiu de preço, e mesmo com o pagamento de juros, ficou mais fácil comprar, principalmente para aquelas milhares de famílias que ascenderam socialmente, passando das classes D e E, entrando para a classe média C”, sustentou.
Pedro Ramos lembrou, por exemplo, que uma geladeira grande tem hoje um preço que equivale a 70% em relação ao valor de 2003, enquanto uma TV tela plana custa, atualmente, apenas 25% do preço equivalente ao momento do seu lançamento. Mas em sentido oposto, o economista chamou a atenção para a pontuação do item que teve a maior queda no mês de março, que foi emprego atual, que, ao marcar 117,5 pontos, caiu 14,9% quando examinado frente a fevereiro.
“Não sabemos exatamente a razão disso, mas é possível que a desaceleração da economia tenha diminuído o ritmo das contratações, o que só poderemos confirmar em abril, com os números oficiais de empregos do Estado do Rio Grande do Sul”, analisa. Quando perguntados sobre a perspectiva de consumo futuro, a pontuação ficou em 117,5 pontos. O item renda atual marcou 131,4 pontos. Já o marcador acesso a crédito teve 123,1 pontos.
Pesquisa da Fecomércio indica que gaúchos estão otimistas para o consumo
Criação de vagas no mercado de trabalho dá ao trabalhador melhor perspectiva futura