O Congregarh 2025, maior evento de gestão de pessoas do Sul do Brasil, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos seccional Rio Grande do Sul (ABRH-RS), deve encerrar com ao menos nove mil visitantes, estimou a organização nesta sexta-feira, último dia do congresso. O evento, realizado no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre, e iniciado na última quarta-feira, é composto de palestras, além de uma feira de negócios, reunindo grandes e pequenas empresas.
Ainda nesta sexta, um dos destaques da manhã foi a presença do economista-chefe do Sistema Fiergs, Giovani Baggio, que falou aos presentes sobre a atual conjuntura econômica no Rio Grande do Sul e Brasil, com foco nos efeitos do tarifaço do governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em vigor desde julho. De acordo com ele, as exportações da indústria gaúcha já caíram 19% em agosto deste ano, primeiro mês da imposição de 50% de tributos norte-americanos, na comparação com o mesmo período de 2024.
“A gente também não via um nível de tensão e pessimismo tão grande desde a pandemia, inclusive superando o período das enchentes”, disse Baggio, se referindo ao Índice de Confiança do Empresário Industrial do RS (ICEI-RS), medido pela Fiergs, que atingiu 42,7 pontos em setembro deste ano, contra 44,4 em maio de 2024. Na pandemia, em março de 2020, era de 32 pontos.
“Acho que se o cenário continuar da forma como está, a tendência é colhermos resultados ainda piores. Houve uma declaração do governo norte-americano em que, depois do desfecho que tivemos no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, em que teríamos mais sanções, isto pode trazer mais dificuldades, mas ainda não sabemos se será pelo lado diplomático, político ou algo neste sentido. Esperamos que não seja pelo lado comercial”, salientou o economista-chefe.
Ele disse ainda que a indústria gaúcha vinha num período de recuperação “supreendentemente positiva e rápida” depois das históricas inundações, mas perdeu força pela dificuldade das empresas em acessar crédito e juros altos. Com efeito, isto fez com que, no longo prazo, a indústria gaúcha perdeu participação no conjunto do país, que, por sua vez, também teve perda de relevância no cenário mundial.
85% dos empresários dizem que falta de mão de obra afeta companhias
Mas as dores da indústria gaúcha não se restringem somente ao tarifaço, salientou Baggio. Segundo pesquisa divulgada nesta semana pela Fiergs, 85,5% dos empresários ouvidos pela entidade disseram que a falta de mão de obra afeta suas companhias. Até então, em cinco edições do levantamento, o maior percentual registrado havia sido de 64%.
“A questão demográfica é uma das causas de isto ter ocorrido. As famílias gaúchas têm tido menos filhos, e nos últimos 22 anos, na comparação do Censo de 2022 com o de 2000 do IBGE, tivemos um saldo migratório negativo de 700 mil pessoas no Rio Grande do Sul, e Santa Catarina recebeu um milhão de pessoas”, salientou. “Temos um baixo nível de qualidade da nossa educação básica, ficando para trás nos últimos anos. E também a questão delicada do excesso de auxílios sociais, dita pelos empresários como a principal causa da falta de trabalhadores, embora não seja a única. Temos que calibrar o ponto certo destes programas”, acrescentou.