A Petrobras confirmou que iniciou negociações para a alienação de sua participação na companhia Petrobras Argentina. Em comunicado enviado nesta quarta-feira, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal comunicou ainda que não há qualquer acordo firmado que confira segurança quanto à conclusão da transação, nem deliberação por parte da diretoria executiva ou do conselho de administração da Petrobras.
A estatal já contabiliza oportunidade de embolsar, pelo menos, US$ 2,7 bilhões com a venda de dois ativos de peso - a participação na petroquímica Braskem, por cerca de US$ 1,5 bilhão, e a subsidiária argentina Pesa, por US$ 1,2 bilhão. Se conseguir tirar os dois projetos do papel, terá atingido 19% do plano de se desfazer de US$ 14,4 bilhões neste ano.
A intenção de vender a Braskem deve ser formalizada nos próximos dias, como antecipou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Nesse caso, a estimativa de arrecadação se baseia em seu valor de mercado. Já a proposta de compra da Pesa foi formalizada pela Pampa Energia, empresa argentina que atua no segmento de eletricidade, e está sendo avaliada pela Petrobras, segundo fonte da petroleira.
O pacote de ativos à venda inclui concessões para exploração e produção de petróleo e gás, uma térmica, uma hidrelétrica, uma refinaria e postos de gasolina.
Braskem
Apesar de a Braskem ser vista pelo mercado como um ativo bastante atrativo, a fatia de 36,1% que a Petrobras detém no bloco de controle da petroquímica, a estatal pode ter contribuído para desvalorizar o negócio. Menos de um mês atrás, a estatal fechou um novo acordo de longo prazo para o fornecimento de nafta à Braskem, o qual estabeleceu que o preço a ser pago pela petroquímica durante os próximos cinco anos será equivalente a 102,1% do valor praticado no mercado europeu.
Semanas antes, a diretoria da Petrobras havia sinalizado que chegaria a um novo acordo com a Braskem, a um preço médio de 101% da referência ARA, termo utilizado no caso dos valores praticados nos mercados de Amsterdã, Roterdã e Antuérpia.
O custo mais elevado da principal matéria-prima utilizada pela Braskem reduz a competitividade da petroquímica nacional e, consequentemente, pode afetar a precificação das ações da Braskem. Outra particularidade do contrato que pode tornar a participação da Petrobras menos atrativa é o prazo de cinco anos, com possibilidade de renegociação das condições a partir do terceiro ano após a assinatura. A Braskem pressionava por um acordo de dez anos.
"O contrato de longo prazo assinado no ano passado pode ser favorável à Petrobras como fornecedora, mas talvez seja ruim para uma empresa que deseja vender sua participação", destacou ao Broadcast, na semana passada, uma fonte próxima às duas empresas e que pediu para não ser identificada. "Não foi uma postura lógica (pressão nas negociações) na condição de acionista, mas foi lógica na condição de vendedora (de nafta)", complementa a fonte.
A Petrobras contratou o Bradesco BBI para assessorá-la na venda da participação na Braskem, uma operação idealizada desde o ano passado, conforme antecipado pelo Broadcast em abril de 2015. A cifra que a Petrobras deve embolsar com a venda de sua participação na petroquímica ainda não está fechada, mas, de acordo com fontes, deve corresponder ao valor de mercado mais um prêmio de controle, cujo porcentual dependerá do processo de concorrência. Quando decidiu pelo desinvestimento, no ano passado, falava-se no mercado em um prêmio de 30%, conforme noticiou o Broadcast à época.
Petrobras confirma negociações para vender subsidiária na Argentina
Estatal ainda comunicou não há qualquer acordo firmado