Economia

Petrobras inicia planejamento para próximos 15 anos

Ajuste será feito com base no orçamento anual da companhia

Ajuste será feito com base no orçamento anual da companhia
Ajuste será feito com base no orçamento anual da companhia Foto : Petrobras / Divulgação/ CP
A Petrobras começa a trabalhar em um novo planejamento estratégico para os próximos 15 anos. O novo conselho de administração da estatal considera fundamental estabelecer uma visão de longo prazo para a petroleira. O ajuste fino será feito com base no orçamento anual da companhia, a "espinha dorsal" da empresa nas palavras do presidente do colegiado, Murilo Ferreira, também presidente executivo da mineradora Vale, informa o jornal O Estado de S. Paulo em sua edição desta quinta.

"O orçamento é uma bíblia que toda empresa tem de ter. A Petrobras tem de ser administrada em cima de um orçamento", disse Ferreira em entrevista.

Até o Natal, os novos conselheiros da estatal querem receber e aprovar números o mais detalhados possível para o ano seguinte. Pelo menos nos últimos dois anos a companhia apresentou sua proposta orçamentária com o exercício já em curso: em 2014, o orçamento se tornou público em fevereiro; em 2013, só foi apresentado no fim de março.

A ordem é detalhar projetos, fontes de recursos para executá-los e traçar planos de ação para cenários distintos, por exemplo, de preços do barril de petróleo. Tendo um plano A, B e C fica mais fácil calibrar a atuação da companhia. Em condições favoráveis, a empresa pode eventualmente acelerar projetos ou, caso contrário, adotar medidas de contingência. Quanto mais minucioso o documento, mais eficaz pode ser a fiscalização do conselho.

No fim de junho a Petrobras divulgou seu Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, com investimentos estimados em 130,3 bilhões de dólares, um corte de 40% ante a previsão anterior. Além de enxugar o orçamento, a estatal fez uma previsão de levantar mais de 57 bilhões de dólares com a venda de ativos até 2018. Na época o presidente da petroleira, Aldemir Bendine, afirmou que o novo plano tem o objetivo de colocar a estatal "no rumo correto".

Para o conselho, entretanto, é preciso ir além. "Nós não estamos satisfeitos. Queremos ter uma visão da empresa pelos próximos 15 anos", afirmou Murilo Ferreira. Segundo ele, o conselho quer trabalhar com planejamentos estratégicos críveis e bem definidos. A intenção é atualizar o Planejamento Estratégico Horizonte 2030, lançado em março do ano passado, que estava baseado em premissas de preços e investimento totalmente distintas das atuais. Entre outros pontos, a estatal estimava atingir uma produção média de petróleo no Brasil e no exterior de 4 milhões de barris por dia de 2020 a 2030.

No novo plano, a empresa já reajustou essa projeção para uma produção de 2,8 milhões de barris diários. Entre as estratégias traçadas a partir da antiga previsão de crescimento para a produção de óleo se destacava a expansão da capacidade de refino no Brasil, que deveria chegar a 3,9 milhões de barris de óleo por dia até 2030. A estimativa se tornou improvável depois que a companhia retirou de seu plano de negócios projetos como a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), ambos investigados pela Operação Lava Jato. A Rnest foi adiada para 2018 e o Comperj terá apenas uma primeira etapa concluída. A Petrobras busca parceiros para continuar o projeto.

Estatuto

Eleito para o conselho em abril, Ferreira destaca recentes alterações feitas no estatuto da estatal como um avanço em sua governança. Na prática, as mudanças aprovadas em assembleia reduziram as competências da diretoria e ampliaram os poderes do conselho. "Só para dar um exemplo, se tivesse amanhã uma fusão da Chevron com a Petrobras, não passava pelo conselho", lembrou. Em resposta a críticas de que as medidas podem engessar a companhia, Ferreira avalia que elas trazem disciplina para a estatal.

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