Economia

PF dobra número de agentes atuantes na operação Zelotes

Farto material foi apreendido em escritórios e casas dos investigados

A Polícia Federal (PF) dobrou o número de agentes envolvidos na operação Zelotes, que apura esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), espécie de "tribunal" que julga recursos de grandes contribuintes em débito com a Receita Federal.

O esforço é para a análise do farto material apreendido em escritórios e nas casas dos investigados durante a Operação Zelotes, deflagrada na última quinta-feira. Além de veículos de luxo e R$ 1,8 milhão em espécie, os policiais recolheram muitos documentos sobre os processos sob suspeita.

Ao todo, estão sob suspeita de participar do esquema 74 contribuintes. O jornal "O Estado de S. Paulo" revelou no último sábado que entre as empresas investigadas por negociar ou pagar suborno a conselheiros para reverter multas da Receita estão gigantes de vários setores, entre eles os bancos Bradesco, Santander, Safra e Bank Boston; as montadoras Ford e Mitsubishi; a BRF, do setor alimentício; além dos grupos gaúchos RBS, Gerdau e Marcopolo. As empresas negam envolvimento. Desde a última quinta-feira, ao menos 19 pessoas foram ouvidas pela PF, nove conselheiros e ex-conselheiros do Carf.

Também prestaram depoimento assessores de integrantes do conselho e outros citados na operação, entre eles João Inácio Puga, do Conselho de Administração do Banco Safra. Ele teria participado de operação para pagar R$ 28 milhões de propina a conselheiros do órgão, conforme reportagem publicada nesta quarta-feira, pelo jornal "O Globo". O Safra não comentou o assunto. A Justiça Federal decretou quebras de sigilos bancário e fiscal de envolvidos, além da indisponibilidade de bens.

A operação

Os casos apurados na Zelotes foram relatados no Carf entre 2005 e 2015. A força-tarefa ainda está na fase de investigação dos fatos. A Zelotes apura suposto pagamento de propina a conselheiros do Carf, em troca de extinção ou redução dos débitos com a Receita. A lista das empresas pode diminuir ou aumentar. Isso não significa uma condenação antecipada. A Camargo Corrêa é suspeita de aderir ao esquema para cancelar ou reduzir débitos fiscais de R$ 668 milhões. Também estão sendo investigados débitos do Banco Pactual e da BR Foods.

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