O Produto Interno Bruto (PIB) estadual registrou desempenho negativo pela segunda vez em dez anos, com uma taxa de -0,8%, atingindo o valor de R$ 203,0 bilhões, segundo dados divulgados pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). O PIB per capita apresentou uma redução de 1,6%, atingindo o valor de R$ 18,8 mil.
Esses resultados, ainda que negativos, foram bastante reduzidos se comparados com os resultados vigentes até o final do primeiro semestre do ano. Nesse período, o Índice Trimestral de Atividade Produtiva (ITAP), indicador elaborado pela FEE que considera os desempenhos da agropecuária, da indústria e de serviços, registrou uma queda de 7,0%, com a indústria de transformação apresentado uma redução de 17,6%. Ou seja, os resultados para o ano apontam a ocorrência de uma forte recuperação da economia no segundo semestre.
A agropecuária, que em 2008 representava 11,24% do Valor Adicionado Bruto (VAB) total, apresentou o maior crescimento setorial, com uma taxa de 1,2%. O valor da produção da lavoura registrou um decréscimo de 0,3%, com destaque para as quedas nas produções de milho (-20,2%), trigo (-17,0%) e mandioca (-4,3%) e os crescimentos nas culturas de feijão (22,4%), maçã (8,1%), arroz (7,3%) e soja (1,8%). A produção animal foi o destaque do ano na agropecuária, apresentando um crescimento de 4,3% no valor da produção. Ressalta-se a produção de leite, com uma taxa de 10,3%.
A indústria, com 27,54% do total do VAB em 2008, foi o setor mais atingido pela crise internacional, registrando uma queda de 5,3%, que representa a menor taxa da década. No período 1985-09, essa taxa só foi superior às de 1990 (-10,9%), 1995 (-12,7%) e 1998 (-5,6%). Esse desempenho foi resultado, principalmente, da grande redução na indústria de transformação (-9,3%), que foi a atividade mais atingida pela crise que se abateu sobre o Estado a partir dos últimos meses de 2008. No desempenho acumulado até outubro da indústria de transformação, destacam-se as taxas negativas de máquinas e equipamentos (-31,8%), veículos automotores (-24,5%), couros e calçados (-23,3%), produtos de metal (-19,6%) e borracha e plástico (-19,4%) e as taxas positivas de refino de petróleo e álcool (15,9%) e celulose, papel e produtos de papel (6,6%). As atividades de construção civil (6,7%) e eletricidade, gás e água (3,0%) apresentaram taxas positivas de crescimento.
O setor serviços, com 61,23% do VAB total em 2008, apresentou um crescimento de 0,9%, com destaque negativo para as atividades de comércio (-2,3%) e transportes (-0,3%). A administração pública (2,3%) e o conjunto dos demais serviços (2,1%) tiveram desempenhos positivos. Projeções do Banco Central apontam um crescimento de 0,2% do PIB nacional em 2009, ou seja, pelo segundo ano consecutivo, um desempenho superior ao do Estado, trazendo, com isso, uma redução da participação do PIB estadual no total do Brasil. É de se destacar a redução da participação da economia gaúcha na do País, a partir de 2003. No período 2003-08, o PIB estadual apresenta um crescimento acumulado de 16,2%, contra 26,5% no País, com a participação passando de 7,33% no início do período para 6,42% no final do período. Considerando os desempenhos verificados em 2009, estima-se uma redução nessa participação para 6,37%.
Considerando a recuperação da atividade econômica, já em vigor em 2009, projeta-se, para 2010, um desempenho vigoroso, tanto para o País quanto para o Estado, com destaque para a indústria de transformação. No Estado, espera-se, adicionalmente, uma forte recuperação da agropecuária.
PIB cai pela segunda vez em dez anos no Estado
Apesar da taxa de -0,8%, resultados apontam forte recuperação da economia no segundo semestre