O Pix bateu um novo recorde de transações diárias na última sexta-feira, 28. Foram 297,4 milhões de transações em um único dia, somando R$ 166,2 bilhões.
O recorde anterior havia sido alcançado em 5 de setembro deste ano, data em que o sistema registrou 290 milhões de transações.
"O resultado é mais uma demonstração da importância do Pix como infraestrutura digital pública, para o funcionamento da economia nacional", diz o Banco Central, em nota.
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Gerando economia
O Pix gerou uma economia de cerca de R$ 106,7 bilhões a empresas e consumidores brasileiros desde o seu lançamento em 2020 até junho de 2025. A estimativa é do Movimento Brasil Competitivo (MBC), organização que une empresários e outros representantes da sociedade civil para promover soluções em áreas consideradas estratégicas para o avanço econômico do País.
O cálculo considera dois efeitos principais: o maior uso de transferências via Pix em substituição à TED, tipo de operação que pode ter cobrança de tarifas, e o aumento de pagamentos via Pix no comércio no lugar de cartões de débito, que geram cobrança de taxas para lojistas. O estudo indica que a transação via Pix para empresas possui uma taxa, mas que ela é "significativamente inferior" aos valores pagos em TEDs, por exemplo.
O levantamento usou dados públicos do Banco Central para estimar qual seria o custo médio caso a população continuasse utilizando esses meios mais caros de pagamento e comparou com o que foi efetivamente pago com a chegada do Pix. A diferença representa a economia gerada pela nova tecnologia no período analisado.
Transformações
O Pix se estabeleceu recentemente como o meio de pagamento usado com maior frequência pelos brasileiros, ultrapassando o dinheiro. Desde o lançamento do sistema, o BC estreou novas funcionalidades, entre elas o Pix Saque, o Pix Troco e o Pix Automático.
As próximas novidades previstas incluem o Pix parcelado e o Pix em Garantia. O Pix também chamou a atenção do governo dos Estados Unidos: em julho, o Escritório do Representante Comercial do país (USTR, na sigla em inglês) anunciou a abertura de uma investigação contra o Brasil a pedido do presidente Donald Trump.
Futuro
Além das reduções de custos, o estudo do MBC destaca efeitos indiretos positivos do Pix, citando um estímulo à formalização de pequenos negócios e um papel relevante na inclusão financeira no País, contribuindo para uma maior bancarização. Mas o MBC também propõe uma reflexão sobre o futuro da governança do sistema, atualmente operado e regulado pelo BC.
A centralização pode ter benefícios, diz o relatório, mas talvez o modelo não seja sustentável a longo prazo. "Essa centralização contribuiu para garantir a implementação com segurança e alcance nacional. Mas, olhando para o futuro, é importante discutir como preservar a neutralidade do sistema, garantir sua sustentabilidade e estimular inovação contínua", afirma Tatiana.
A pesquisa cita experiências internacionais que podem ter servido de inspiração para o Pix, como o sistema indiano Unified Payments Interface (UPI), o britânico Faster Payments Service (FPS) e o sueco Swish. E aponta ainda que, "ao se comparar o modelo brasileiro com experiências internacionais semelhantes, nota-se que é incomum a concentração das funções de operador e regulador de um sistema de pagamentos em uma única instituição".