O futuro Porto Meridional, previsto para ser construído em Arroio do Sal, no litoral Norte do Rio Grande do Sul, foi tema de um fórum realizado nesta sexta-feira, 1º, dentro da programação da 23ª Festa do Pescador. O evento reuniu lideranças políticas, representantes do setor logístico e a comunidade local para discutir os impactos regionais e estaduais do projeto, considerado um dos maiores investimentos privados da história recente do Estado.
Promovido pela Câmara Municipal de Vereadores, o fórum teve como anfitrião o presidente da Casa, vereador Mateus Coelho, e contou com a presença de nomes como o prefeito Luciano Pinto, a presidente da Famurs, Adriane Perin, o deputado estadual Issur Koch, que lidera a Frente Parlamentar em Defesa do Porto Meridional, e o senador Luís Carlos Heinze. As autoridades manifestaram apoio ao terminal e destacaram a importância de incorporar o empreendimento à agenda de desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
O projeto prevê um terminal marítimo onshore, fora da faixa de areia, com capacidade para movimentar até 53 milhões de toneladas por ano. A expectativa é de que 90% dessa carga seja composta por produtos que atualmente saem do Estado em direção a portos de outras regiões, o que eleva custos logísticos e reduz a competitividade da produção gaúcha.
Durante sua participação, o diretor jurídico da Porto Meridional Participações, André Busnello, apresentou detalhes técnicos da proposta e defendeu o porto como solução complementar à estrutura existente. “Estamos propondo um projeto que amplia a capacidade logística do Estado. Não estamos substituindo nada, mas somando. Essa mudança pode representar um salto para a economia gaúcha”, afirmou.
Além da economia no transporte de cargas, Busnello destacou que a operação local de produtos gaúchos aumentaria a arrecadação, atrairia novos investimentos e geraria empregos. A estimativa é de que o empreendimento movimente R$ 6 bilhões em investimentos privados, com geração de 1,5 mil vagas diretas e milhares de empregos indiretos.
Já declarado de utilidade pública pelo governo estadual, o Porto Meridional aguarda licenciamento ambiental do Ibama. O projeto também já obteve aval da Marinha, do Ministério de Portos e Aeroportos e da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).
Para os painelistas, o debate realizado durante a Festa do Pescador representa um marco na mobilização em torno do terminal. A proposta é tratada como estratégica para impulsionar o desenvolvimento não apenas do Litoral Norte, mas também de outras regiões, como a Serra, que hoje precisam deslocar sua produção por longas distâncias até o embarque. O sentimento compartilhado entre os participantes é de que o Estado terá um cenário logístico antes e depois do Porto Meridional.