Economia

Prévia da inflação em 2017 cai para 4,09%, aponta BC

Para 2018, expectativa é de que IPCA fique em 4,46%

Previsão do PIB em 2017 caiu de 0,47% para 0,41%
Previsão do PIB em 2017 caiu de 0,47% para 0,41% Foto : Marcos Santos / USP Imagens / Divulgação / CP
O mercado financeiro reduziu pela quinta semana consecutiva a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2017. A pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo Banco Central e divulgada nesta segunda-feira, mostra que a mediana para o IPCA - o índice oficial de inflação - em 2017 caiu de 4,10% para 4,09%.

Há um mês, a previsão estava em 4,19%. Já a projeção para o IPCA de 2018 também caiu de 4,50% para 4,46% após o número permanecer estacionado no centro da meta de inflação por 36 semanas consecutivas. As projeções de mercado para os dois anos, portanto, indicam expectativa de que a inflação abaixo do centro da meta de 4,50%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2017 foi no sentido contrário e subiu ligeiramente, de 4,08% para 4,11%. Para 2018, a estimativa do grupo caiu de 4,30% para 4,25%. Quatro semanas atrás, as expectativas desses cinco analistas estavam em 4,21% e 4,30%, respectivamente.

A inflação suavizada para os próximos 12 meses foi em trajetória contrária à expectativa para os anos de 2017 e 2018 e subiu marginalmente pela segunda semana seguida, de 4,57% para 4,60% de uma semana para outra - há um mês, estava em 4,54%.

Para os índices mensais mais próximos, a estimativa para abril de 2017 caiu de 0,40% para 0,31%. Um mês antes, estava em 0,44%. Para maio, a previsão de inflação do Focus subiu de 0,35% para 0,41%, ante 0,35% de quatro semanas atrás.

Preços administrados

A pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostrou estabilidade nas projeções para a inflação dos preços administrados neste ano e no próximo ano. A mediana das previsões do mercado para o aumento do conjunto de preços controlados pelo poder público em 2017 seguiu em 5,50% pela quinta semana seguida.

Para 2018, a mediana das estimativas para o conjunto dos preços administrados permaneceu em 4,60%. Quatro semanas atrás, a previsão estava em 4,70%.

Outros índices

O relatório Focus também mostrou forte queda na previsão para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) em 2017. A mediana das projeções do IGP-DI de 2017 recuou de 4,29% para 3,57% na 12ª redução consecutiva. Há um mês, a expectativa estava em 4,51%. Para 2018, a projeção caiu, de 4,61% para 4,55%. Quatro semanas atrás, esse número estava em 4,70%.

Já a previsão para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) em 2017, que é referência para o reajuste dos contratos de aluguel, recuou de 4,36% para 3,99%, na quinta queda seguida. Quatro levantamentos antes, a expectativa estava em 4,62%. Para 2018, a previsão para o índice recuou de 4,60% para 4,50%, ante 4,60% de um mês atrás.

Calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do dólar e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas.

Já a mediana das previsões para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) de 2017 foi na direção contrária e subiu de 3,75% para 3,84%. Um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 4,46%. Para 2018, a projeção do IPC-Fipe permaneceu em 4,50% pela 11ª semana consecutiva.

PIB

O mercado financeiro voltou a reduzir a previsão para o crescimento da economia neste ano. De acordo com a pesquisa Focus, a mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 caiu de 0,47% para 0,41%. Há um mês, a perspectiva era de avanço de 0,48%.

Para 2018, a estimativa para o crescimento da economia permaneceu em 2,50% pela terceira semana seguida. Quatro semanas atrás, a expectativa estava em 2,40%.

No mesmo relatório Focus, as projeções para a produção industrial para 2017 permaneceram em 1,20%. Há um mês, estavam em 1,22%. Para 2018, a estimativa de crescimento da produção industrial subiu de 2,06% para 2,19%. Quatro semanas antes, essa previsão era de 2,06%.

Já a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2017 caiu de 51,70% para 51,50%. Há um mês, estava em 51,55%. Para 2018, as expectativas no boletim Focus permaneceram em 55,00%, projeção que já se repete há dez semanas.

Dólar

A pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central voltou a indicar queda nas previsões para o dólar neste ano. No levantamento, a mediana das estimativas para o dólar no fim do ano caiu de R$ 3,25 para R$ 3,23. Há um mês, a expectativa estava em R$ 3,30. A previsão para o câmbio médio de 2017 permaneceu em R$ 3,18 pela sexta semana consecutiva.

Para 2018, a projeção dos analistas para o câmbio no fim do ano caiu de R$ 3,40 para R$ 3,37 após seis semanas de queda das expectativas, aponta o BC. Há um mês, a previsão era de R$ 3,38. Já a aposta para o câmbio médio no próximo ano cedeu ligeiramente, de R$ 3,35 para R$ 3,34. Quatro semanas antes, a projeção estava em R$ 3,38.

Balança comercial

A despeito dos efeitos negativos da Operação Carne Fraca sobre as exportações do setor da carne, os economistas do mercado financeiro elevaram pela terceira semana seguida a previsão para o superávit da balança comercial em 2017. A estimativa de saldo positivo este ano subiu US$ 50,07 bilhões para US$ 50,90 bilhões, ante US$ 48,70 bilhões de um mês antes.

Para 2018, os economistas do mercado também demonstram otimismo e elevaram a projeção de superávit de US$ 41,90 bilhões para US$ 42,49 bilhões. Há um mês, a expectativa estava em US$ 40,00 bilhões.

Para as transações correntes, as previsões coletadas pela pesquisa Focus para 2017 indicaram expectativa de manutenção no saldo negativo em US$ 26,00 bilhões. A expectativa de déficit externo em 2018 caiu ligeiramente, de US$ 36,50 bilhões para US$ 36,25 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 26,50 bilhões e US$ 36,00 bilhões, respectivamente.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário. A mediana das previsões para o IDP em 2017 segue em US$ 75,00 bilhões. Para 2018, a perspectiva de entrada de investimento direto caiu de US$ 74,50 bilhões para US$ 74,00 bilhões. Quatro semanas antes, o mercado previa entrada de US$ 72,00 bilhões para os dois anos. A projeção do BC para 2017 é de IDP de US$ 75,00 bilhões.

Selic

O mercado financeiro reforçou a aposta de que o ciclo de afrouxamento realizado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) será ainda mais intenso. A pesquisa semanal do BC concluída em 7 de abril mostra que a mediana das previsões para o patamar do juro básico no fim deste ano caiu de 8,75% para 8,50%, na segunda redução seguida. Para 2018, a expectativa permaneceu em 8,50% pela terceira semana seguida. Há um mês, o mercado esperava Selic em 9,00% e 8,75%, respectivamente, no fim de 2017 e 2018.

No mesmo relatório Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 10, a expectativa de Selic média em 2017 caiu de 10,38% para 10,31%. Há um mês, a mediana da taxa média projetada para o ano era de 10,63%. Para 2018, a previsão de Selic média caiu de 8,75% para 8,63%, ante 9,00% de um mês antes.

No grupo dos analistas que mais acertam as projeções no médio prazo, o chamado Top 5, a previsão para o patamar para a taxa Selic no fim de 2017 permaneceu em 8,50% ante 9,00% de um mês atrás. Para 2018, o Top 5 manteve a expectativa para o juro de 8,50%, ante 9,00% de um mês atrás.


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