A economia brasileira andou de ré pelo 14º mês consecutivo em fevereiro, fazendo com que atingisse o menor patamar dos últimos seis anos. No segundo mês de 2016, a atividade recuou 0,29% ante janeiro, quando já havia caído 0,68%. A revelação foi feita ontem com a divulgação do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), considerado o "PIB do BC".
Para se ter uma ideia, o indicador registrou retração da economia de 4,23% em 2015 (dado atualizado), enquanto o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) oficial apresentou baixa de 3,8%, a maior em 25 anos. Pelas projeções dos economistas, está cada vez mais claro o quadro recessivo pelo qual passa o País em meio às incertezas relacionadas ao setor político.
Apesar de tantas marcas negativas, o resultado de ontem veio um pouco melhor do que previam analistas do mercado financeiro, em torno de -0,50%. Nem por isso, no entanto, houve uma onda de revisões positivas para o comportamento da produção brasileira.
"O IBC-Br segue no terreno negativo e a confiança do empresário até ensaiou se estabilizar, mas com o que está acontecendo no cenário político, não tem como se empolgar", disse o economista do Banco Pine, Marco Antonio Caruso.
Na mesma linha, o economista do Banco Sicredi, Pedro Ramos, manteve a possibilidade de revisar para baixo sua expectativa de PIB do primeiro trimestre na margem, atualmente em -1%.
"O IBC-Br veio melhor do que esperávamos, mas temos de levar em conta que houve revisão para baixo no dado anterior. No fundo, ficou elas por elas", comparou Ramos. Na divulgação anterior, o resultado de janeiro mostrava queda menos intensa, de 0,61%.
Para Ramos, considerando o comportamento fraco dos principais segmentos que compõem o PIB - indústria e serviços -, a economia no primeiro trimestre deve repetir o resultado ruim do quarto trimestre (-1,4%) de 2015.
Surpresa
A surpresa positiva do IBC-Br de fevereiro pode ser creditada às Regiões Sul e, principalmente, Centro-Oeste, que possuem grande base de sua economia calcada na produção agrícola. No período, o IBC-CO subiu 4,28%, para 153,13 pontos e o IBC-S, 0,16%, para 139,70 pontos.
Já as regiões que apresentaram as maiores quedas são as mais ligadas à manufatura, como Norte, onde está localizada a Zona Franca de Manaus e que caiu 1,70%, para 148,67 pontos. No caso do Sudeste, onde está instalado o maior parque industrial do País, o recuo de janeiro para fevereiro foi de 1,53%, para 138,63 pontos.
O Nordeste foi a região que apresentou mais estabilidade no segundo mês do ano, recuando 0,59% na margem (147,35 pontos).
Com a atualização dos dados, o IBC-Br acumula queda de 4,63% em 12 meses e de 6,14% no bimestre. Esta é a primeira vez que o Banco Central divulga o indicador depois de fazer uma grande revisão metodológica.
Como enfatizou o BC, as mudanças não geram grandes alterações nos dados passados. Pela atualização, o IBC caiu para 135 pontos em fevereiro. O nível mais baixo registrado até agora era em janeiro de 2010, quando ficou em 133,55 pontos.
O IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. A atual previsão oficial do BC para a atividade doméstica deste ano é de queda de 3,5%. No Relatório de Mercado Focus da última segunda-feira, que reúne as estimativas do mercado financeiro, o consenso para o PIB de 2016 estava em -3,80%.
Prévia do PIB cai pelo 14º mês seguido
Atividade recuou 0,29% ante janeiro, quando já havia caído 0,68%