Os produtos in natura e semi-industrializados foram os que mais pressionaram a alta. De acordo com os dados, nos últimos 12 meses, encerrados em janeiro, o custo da cesta básica aumentou 7,67%. A economista do Dieese Daniela Sandi avaliou que as questões climáticas, derivadas do fenômeno La Niña, têm sido fundamentais para a alta, que chegou a 9,41% em Brasília. “Na Capital, sete dos 13 produtos que figuram neste conjunto de alimentos essenciais ficaram mais caros, com destaque para a banana (12,32%), a farinha (9,22%), o café (3,07%) e o tomate, que aqui subiu apenas 3,04%, mas que chegou a aumentar 79,38%, no Rio de Janeiro”, comentou ela.
Segundo Daniela, um dos motivos para o aumento menor registrado em Porto Alegre foi uma elevação pequena no preço da carne (1,48%), que é responsável por 40% do custo da cesta básica no Estado. Os dados do Dieese mostraram, também, que houve alta em 14 das 17 capitais pesquisadas. Somente Curitiba (-2,78%), São Paulo (-1,47%) e Recife (-0,32%) apresentaram redução no preço. A capital paulista, no entanto, continua tendo a cesta básica mais cara do País, custando, hoje, R$ 261,25. A mais barata é a de Aracaju (SE), custando R$ 182,76.
Com os números de janeiro, o trabalhador precisa desembolsar o equivalente a 51,27% do salário mínimo líquido para adquirir os produtos. “Este é o sexto mês consecutivo de elevação dos preços da cesta básica em Porto Alegre, e a perspectiva é de que se mantenha essa tendência de elevação, pois o clima ainda deve causar problemas de abastecimento de alguns produtos”, afirmou a economista do Dieese.
De acordo com o Dieese, para cumprir o preceito constitucional de suprir as despesas do trabalhador e família, o valor do salário mínimo, em janeiro de 2011, deveria ser de R$ 2.194,76, o equivalente a 4,06 vezes o atual mínimo em vigor, que é de R$ 540.