Papandreou convocou reunião emergencial de gabinete a partir das 8h (de Brasília), informou o escritório do governo. A reunião acontecerá depois de vários parlamentares do governista Partido Socialista (Pasok) demonstrarem que não apoiarão o premiê no voto de confiança programado para esta sexta-feira. O Pasok tem agora uma maioria de apenas um assento no Parlamento grego, após Eva Kaili, membro do partido do governo no Parlamento, afirmar que não apoiará Papandreou na votação de amanhã.
"Eu peço que o seu governo, mesmo em um último momento, proteja o acordo fechado na semana passada desistindo da sua decisão de fazer um referendo", disse Kaili em uma carta enviada a Papandreou. "Eu não renunciarei ao meu assento no Parlamento, mas na votação de sexta-feira não darei um voto de confiança ao governo", acrescentou.
Mais cedo, uma rádio grega afirmou que Elena Panaritis, que também é membro do Pasok no Parlamento, não apoiará Papandreou. Panaritis teria dito que não está preparada para apoiar qualquer movimento que coloque em risco a presença da Grécia na zona do euro.
Perda de apoio
O ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, disse ser contra o polêmico plano do primeiro-ministro de realizar um referendo para decidir se o país deve continuar a fazer parte da zona do euro. "O lugar da Grécia no euro é uma conquista histórica do povo grego que não pode ser colocada em questão", afirmou Venizelos em um comunicado, depois de voltar da reunião G-20, em Cannes. "Isso não pode ser colocado na dependência de um referendo."
O comunicado representa mais um golpe para Papandreou, que enfrenta uma crescente revolta dentro do Partido Socialista por causa da proposta de referendo e será submetido na sexta-feira a um voto de confiança no Parlamento. O combalido premiê surpreendeu seus próprios parlamentares nesta semana com a inesperada convocação de um referendo sobre o último pacote de ajuda ao país, de € 130 bilhões, acordado por líderes europeus em Bruxelas na semana passada.
A movimentação é considerada uma aposta de alto risco destinada a reprimir as críticas da opinião pública contra a política de austeridade, mas corre o risco de comprometer os planos para a solução da crise da dívida da zona do euro.
Reunidos em Cannes, na França, na noite desta quarta-feira, os líderes europeus deixaram claro que perderam a paciência com a Grécia, exigindo que o país declare se quer permanecer na união monetária ou se arriscar em uma secessão dramática. Depois de uma tensa reunião com Papandreou,
o presidente francês, Nicolas Sarkozy, alertou que a Grécia não receberá nenhuma ajuda adicional até que a questão seja resolvida, ressoando a opinião da chanceler alemã, Angela Merkel, que também estava presente. "A Grécia quer continuar parte da zona do euro ou não?", disse Merkel. "Essa é a questão que o povo grego deve responder agora."
Na segunda-feira, um parlamentar socialista saiu do partido, dizendo que o referendo põe em risco a sobrevivência econômica da Grécia e levantando a preocupação de que Papandreou seja obrigado a convocar eleições antecipadas. Pelo menos cinco deputados, que permanecem no partido, manifestaram sua oposição ao referendo. O Partido Socialista grego (Pasok) tem 152 assentos no Parlamento e precisa de uma maioria de 151 para sobreviver ao voto de confiança ou aprovar o referendo.
Segundo analistas, o governo pode sobreviver ao voto de confiança, mas a dissidência no partido significa que ele pode não ter votos suficientes para realizar o referendo. As informações são da Dow Jones.