Economia

Premiê grego vai se reunir com Sarkozy e Merkel amanhã

George Papandreou tenta conter revolta no governo após anúncio de referendo

George Papandreou tenta conter revolta no governo após anúncio de referendo
George Papandreou tenta conter revolta no governo após anúncio de referendo Foto : Vasileios Filis / AFP / CP
O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, disse que vai se reunir com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em Cannes na quarta, um dia antes do início da reunião de cúpula do grupo das 20 maiores economias do mundo (G-20). Segundo um comunicado divulgado pelo gabinete grego, Papandreou conversou hoje com Merkel e explicou a decisão de convocar um referendo sobre o plano da Europa para ajudar a Grécia. De acordo com o primeiro-ministro, a chanceler alemã teria entendido a iniciativa.

"O primeiro-ministro destacou a necessidade de as decisões da cúpula da União Europeia serem adotadas pela população grega com o objetivo de contribuir para as grandes mudanças que o país precisa completar", disse o comunicado.

Papandreou, Merkel e Sarkozy conversarão amanhã durante um jantar. Também estarão presentes o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, o presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, e o atual presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi.

Hoje, Merkel e Sarkozy informaram em um comunicado que fizeram uma teleconferência e reforçaram a posição delineada na semana passada em Bruxelas, na Bélgica, junto com outros líderes europeus. No encontro em Cannes, eles pretendem "para tomar todas as medidas necessárias para a implementação do acordo fechado em Bruxelas em 27 de outubro o mais rapidamente possível".

"A Alemanha e a França decidiram, junto com os parceiros europeus, salvaguardar a completa e imediata implementação das decisões tomadas na cúpula, que são mais importantes hoje do que nunca", afirmou o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert.

O acordo europeu firmado em Bruxelas pode ser dividido em três pontos principais: 1) os credores privados da Grécia perdoarão 50% da dívida do país, que receberá ainda uma nova linha de socorro no valor de € 130 bilhões; 2) o fundo de resgate do euro será alavancado em até cinco vezes e poderá alcançar € 1 trilhão; 3) os bancos europeus serão obrigados a se capitalizar no mercado e precisarão, juntos, de € 106 bilhões.

Premiê tenta conter revolta no governo grego

Nesta terça, Papandreou convocou uma reunião de emergência de seu gabinete ministerial em meio a uma revolta entre os membros de seu Partido Socialista. "Ele está tentando controlar uma revolta. O futuro do governo pode ser decidido na reunião do gabinete", disse um membro sênior do partido. "Neste momento, Papandreou ainda planeja ir adiante com o voto de confiança marcado para sexta-feira."

A deputada socialista Eva Kaili disse por meio de um comunicado que é preciso um governo de unidade nacional no país, mas acrescentou que Papandreou não deve liderar este governo. Seis representantes do partido também pediram a substituição do premiê. Mais cedo, outra parlamentar socialista, Milena Apostolaki, abandonou o partido, deixando os socialistas com uma maioria de apenas duas cadeiras no Parlamento de 300 vagas.

As reações acontecem depois que Papandreou convocou ontem um referendo sobre se a Grécia deve seguir com as medidas de austeridade em troca da ajuda da Europa. Ele também pediu um voto de confiança no governo, que deverá ser avaliado no Parlamento nesta sexta-feira.

Autoridades gregas disseram que um "sim" no referendo pode reduzir a oposição aos cortes nos salários, aposentadorias e gastos do governo. Mas um "não" poderá eventualmente fazer a Grécia abandonar o euro.


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