O Comitê Feminino (Cofem) do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS) promoveu uma roda de conversa sobre “liderança feminina e conexões de mercado no setor de energias renováveis” na tarde desta segunda-feira. O “Conexão Cofem” ocorreu das 14h às 17h, no auditório do sindicato, na Av. Carlos Gomes, em Porto Alegre.
Para debater o tema, o sindicato convidou a empresária francesa Delphine Vazquez, diretora de marca da Chandon Brasil, a coordenadora da empresa Biotérmica, Andressa Schumacher, e a vice-presidente da Tecnova, Nathalia Behrends. Também estiveram presentes a vice-coordenadora do Cofem, Marina Tabasnik, a diretora técnica no Sindienergia, Karina Freitas e a presidente do sindicato, Daniela Cardeal.
Segundo a presidente do Sindienergia, o evento tem como objetivo divulgar a atuação do Cofem e fomentar a presença feminina no setor de energia. A intenção do sindicato é realizar pelo menos dois encontros por ano, para que as associadas possam “entender que tipo de conversas a gente tem dentro do Cofem”.
“Queremos discutir a questão do feminino dentro do mundo corporativo, não só do mercado de energia. No setor de renováveis, não se encontra mulheres na casa de 60 anos, mulheres na casa dos 40 anos já se encontra mais. Para ocupar lugares de liderança dentro dos espaços, muitas vezes se exige uma masculinização da mulher ou então uma super feminilidade”, complementou a diretora técnica do Sindienergia, Karina Freitas.
Preconceito com mulheres no ambiente de trabalho é desafio global
A diretora de marca da Chandon, Delphine Vazquez, que possui uma carreira internacional com experiência em pelo menos 10 países, falou sobre os desafios de ser mulher em cargos de liderança na América Latina e na Europa.
“Meu maior desafio talvez tenha sido na França. Agora tenho uma chefe que é mulher. Então é algo que achei muito interessante, posso ter um líder que não é egocêntrico, que tem esse lado mais humano. Hoje tem muito mais ferramentas de suporte que as mulheres podem usar, temos muitas formas de avançar ”, relatou a diretora.
Delphine contou que já vivenciou e precisou manejar casos de machismo durante sua experiência no Brasil. Segundo ela, é comum que homens façam piadas sexistas na sua frente, supondo que ela não entende o idioma, ou que peçam para alcançar água durante as reuniões. Diante dos desafios, ela diz que aprendeu a se “defender de forma elegante com piadas”.
“Eles não se dão conta de que estão nos colocando em uma posição diferente. Conscientizar é importante, conscientizar os homens dos riscos. É preciso também acompanhar, não deixar as mulheres sozinhas”, ressaltou a diretora.
Ela também contou sobre um caso de assédio que ocorreu com uma integrante da equipe durante uma viagem à França. Na ocasião, um diretor comercial de outra empresa constrangeu a jovem e Delphine precisou manejar a situação posteriormente, dando suporte e escuta à funcionária e denunciando o caso junto à empresa responsável.
“Se não liberarmos a fala, não vai acontecer nada. Todas essas piadas são para colocar você em um lugar mais vulnerável. É preciso elevar o discurso e mostrar que você está à frente”, afirmou.
A presença feminina no setor de energia
Segundo a coordenadora da empresa Biotérmica, Andressa Schumacher, o maior desafio ainda é a disparidade de gênero nas engenharias e as dificuldades para construir credibilidade dentro das empresas. “Eu tenho tentado puxar mais mulheres para o time da Biotérmica, mas a gente simplesmente não encontra”, relata.
“A nossa visão aqui enquanto entidade é que tem que unir para crescer. A gente tem falado em vários fóruns, a gente quer elevar números de mulheres, tem que aumentar por competência. A gente só tem 17% de participação de mulheres no setor de renováveis, energias que são consideradas as mais inovadoras”, pontuou a presidente do sindicato.
“Na parte de energia, eu entrava numa reunião e era só eu. Eu entrei bem mais nova, então o maior desafio para mim foi ter essa credibilidade. A gente tem muito a necessidade de ter aprovação no início dessa jornada. Eu tive ajuda de muitos homens nesse período. Demorou para o pessoal conseguir acreditar. É muito importante quando um homem te apoia nesse segmento”, complementou Andressa.
Mas conforme a vice-presidente e diretora comercial da companhia elétrica Tecnova, Nathalia Behrends, o setor está mudando.
“O que a gente percebe do setor é que ele está evoluindo. Muitas empresas são de capital aberto e têm essas metas de equidade. Em agosto do ano passado atingimos na Tecnova a marca de 50% da equipe composta por mulheres e 40% de mulheres na liderança. Ganhamos um reconhecimento do governo do RS, também pelo combate ao assédio, por isso nos sentimos na obrigação de que isso seja garantido na prática, em relação à equidade salarial também. Para isso a gente se sente obrigado a colocar em forma de política de cotas”, destacou a empresária.