O presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do RS (Sulpetro), João Dal'Aqua, afirmou à Rádio Guaíba e que mesmo o fim da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o diesel não irá resolver os problemas dos fornecedores de combustíveis.
“A curto prazo tenho preocupações e não consigo ver nada mágico nesse momento”, disse ele, em entrevista à Rádio Guaíba na noite desta terça-feira. “Se aprovar, vai levar três meses para poder ser efetiva e não vai resolver o problema na magnitude atual. Afeta taxa de câmbio, preço do petróleo, alíquotas tributárias”, elencou. “Pode ser um alento, mas não vai reduzir nesse momento algo significativo.”
O dirigente disse que os revendedores estão contabilizando prejuízos desde o ano passado. “A revenda está sofrendo muito, está se descapitalizando e se endividando”, disse ele, que afirmou se solidarizar também com os caminhoneiros que protestam em rodovias do país desde segunda-feira. “A situação atinge todo mundo.” A entidade defendeu mais cedo a uniformização das alíquotas do ICMS para baixar combustíveis no país.
Dal'Aqua cobrou soluções do Executivo: “O governo tem de entender que o momento é muito difícil e temos de buscar movimentos e atitudes concretas. Se não tomar nenhuma atitude, não é bom para ninguém”, destacou. “Não é para o consumidor que está sendo pressionado, para a revenda em situação complicada e depende de decisões governamentais.”
Balanço da PRF aponta 18 pontos de concentração
O segundo dia de manifestações de caminhoneiros terminou com 18 pontos com concentração de veículos de carga na malha federal do Rio Grande do Sul. Levantamento da Polícia Rodoviária Federal apontou que os trechos são em nove rodovias. A BR 285, com cinco pontos, e a BR 290, com quatro, são as rodovias que mais têm maior concentração – mas nenhum bloqueio, conforme informado pelo órgão. No Brasil, 22 estados tiveram protestos.
Na malha estadual do Rio Grande do Sul, o Comando Rodoviário da Brigada Militar registrou 22 pontos de manifestações. Em nenhum, contudo, havia bloqueio.
Os protestos já começam a afetar a distribuição de combustível em algumas cidades do Estado. Em Pelotas, há postos que já não tinham gasolina para vender nesta terça. Em virtude da manifestação, a Aurora Alimentos irá paralisar as atividades das indústrias de processamento de aves e suínos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul na quinta e sexta-feira.
Presidente da Sulpetro pede soluções mais imediatas
João Dal'Aqua afirmou que fim da Cide é alento, mas efeitos só serão sentidos em três meses