No Rio Grande do Sul, os impactos das mudanças climáticas, como as enchentes e as estiagens, são fatores que ainda afetam toda a cadeia da economia e que exige que diferentes setores trabalhem para encontrar meios de mitigação. Em âmbito nacional, as mudanças previstas pela reforma tributária, a evolução das apostas esportivas, conhecidas como bets e o reajuste da tabela do Imposto de Renda são os principais fatores apontados por presidentes das principais entidades econômicas do Rio Grande do Sul que impactam o mercado consumidor.
Os desafios e estratégias necessárias para o crescimento econômico do Estado e do País foram debatidos na reunião-almoço Tá Na Mesa, da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul), nesta quarta-feira. Para o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, o futuro do Rio Grande do Sul está ligado à conectividade com o mundo, contemplando investimento em aeroporto, ferrovia, hidrovia e rodovia, e essa construção depende de recursos públicos.
O presidente do CDL, Irio Piva, destacou que o Estado precisa encontrar a sua vocação para superar as deficiências logísticas, considerando que o grande mercado consumidor está no eixo Rio-São Paulo. "Logisticamente, é muito difícil para a gente competir com o resto do país", afirma. Ele lembrou que o tarifaço motivou a encontrar diferentes mercados, como na Argentina.
Para Ivonei Pioner, da Federação Varejista do RS, o setor tem como principais desafios nacionais os impactos da reforma tributária, que ainda não preparou os varejistas para as mudanças, e da inadimplência, que atinge mais de 60% das pessoas economicamente ativas. Já no Rio Grande do Sul, os impactos das enchentes e secas nas regiões. "O varejo é a ponta da cadeia da economia. A indústria produz, manufatura e nós entregamos e vendemos. Quando o dinheiro não circula, todo mundo perde. E o varejo, hoje, vê ambientes industriais em momento de baixa e PIB com dificuldade de crescimento e produção", afirmou.
Vilson Noer, presidente da Associação Gaúcha do Varejo (AGV), pontuou que a demanda do mercado está voltada ao que é mais importante na rotina do consumidor, e itens secundários acabam ficando em outro plano de venda. Fatores como a covid-19 e os impactos das mudanças climáticas ainda trazem desafios para o estado, principalmente no agronegócio. "O agro é a grande máquina da economia do Rio Grande do Sul. No momento que o agro sofre, toda a roda da economia sofre, e o varejo é uma consequência", afirma. Outros fatores, como a inadimplência elevada, informalidade e desvios de renda acentuados são outros fatores que têm impactado na renda dos consumidores. A Black Friday, que ocorre em breve, é uma oportunidade para a recuperação do varejo, analisa.
Um dos principais desafios para a ida ao supermercado são as apostas esportivas, conhecidas como bets, que precisam de mais regulamentação, aponta Lindonor Peruzzo Junior, novo diretor da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), numerando que as bets vão faturar, neste ano, cerca de R$ 300 a 400 bilhões. "Estão tirando o dinheiro do consumidor para poder gastar", diz. Ele também defende maior regulamentação ao crédito consignado com garantia do FGTS. “Entendemos que precisa existir uma regulamentação do governo, onde existem taxas de até 15% dos nossos colaboradores pagando. É uma taxa abusiva, e o crédito consignado do fundo de garantia é um dinheiro já garantido", afirma. Articulações políticas e diálogo é, na sua análise, o caminho para encontrar formas de regulamento melhores aos supermercadistas.
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Delmar Alberello, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística do RS (Setcergs) destacou que o investimento na infraestrutura do estado deve ser prioridade. Ainda, que a entidade está buscando unir os setores econômicos de diversos setores, como a indústria, agronegócio e comércio para elaborar projetos técnicos ao governo. "Está na hora da área política estar mais junto da iniciativa privada. Porque o político que não escuta, não consegue apresentar projetos".
Para Paula Dahmer, do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis, Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Sescon RS), mais do que nunca, é importante que o empresário entenda sobre reforma tributária e como vai ser a tributação do seu negócio. "Isso vai impactar na cadeia produtiva, na questão de qualificação do seu fornecedor na negociação com seus clientes e na forma como vai precificar o seu produto. Acrescentou, ainda, que o reajuste da tabela do Imposto de Renda e a tributação dos dividendos deve ser uma preocupação pro empresário que tribute e afirma que o ano de 2026 é de preparo.