Economia

Prévia da inflação cai para 0,06% em julho, mas energia elétrica pressiona contas, aponta IBGE

Na capital gaúcha, IPCA-15 atinge 0,39%, mais que o dobro da média do país

Energia elétrica residencial sobe 3,03% e é o principal impacto do mês, com reajustes de até 19,55% e vigência da bandeira amarela
Energia elétrica residencial sobe 3,03% e é o principal impacto do mês, com reajustes de até 19,55% e vigência da bandeira amarela Foto : Fabiano do Amaral / CP Memória

A prévia da inflação de preços no Brasil, medida pelo IPCA-15, desacelerou em julho, fechando em 0,06%, conforme dados divulgados nesta terça-feira, 28, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado fica 0,35 ponto percentual abaixo de junho (0,41%).

No acumulado dos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,52%, abaixo dos 4,80% observados no período imediatamente anterior. No ano, a inflação acumula 3,51%.

A capital gaúcha registrou inflação de 0,39% em julho — mais que o dobro da média nacional — acumulando 3,69% no ano e 4,89% em 12 meses. No ano, Porto Alegre está 0,18 ponto percentual acima da média brasileira de 3,51%, e, em junho, a variação na cidade foi de 0,50% contra 0,41% do Brasil.

Enquanto alimentos ficaram mais baratos, com quedas de até 19,95% no tomate, a conta de energia subiu. Dos nove grupos pesquisados, Habitação foi o de maior variação e impacto (0,97% e 0,15 ponto percentual), em oposição à Alimentação e bebidas, grupo com a menor variação e impacto (-0,66% e -0,15 ponto percentual).

A energia elétrica residencial subiu 3,03% em julho, sendo a maior responsável pela inflação do mês (0,12 ponto percentual).

Os reajustes tarifários chegaram a dois dígitos em algumas cidades. Além da vigência da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos, a alta reflete a incorporação dos seguintes reajustes: Curitiba levou a maior alta, com 19,55%, seguida por Porto Alegre (14,89%) e São Paulo (8,85%). Na capital gaúcha, a concessionária responsável pela tarifa elevou o valor em 14,89% (impacto de 5,05%), com vigência desde 19 de junho. No Rio de Janeiro, o impacto foi ainda maior: 4,88%, resultado do retorno do reajuste de 15,10% autorizado pela ANEEL em junho.

Ainda em Habitação, a taxa de água e esgoto (0,26%) contempla os seguintes reajustes: 5,77% em Porto Alegre (1,48%), vigente desde 1º de julho; 3,97% em Brasília (1,94%), a partir de 1º de junho e 2,52% em Curitiba (0,08%), vigente desde 17 de maio. No subitem gás encanado, a redução de 0,30% foi resultado da redução média de 2,00%, em 1º de junho, nas tarifas no Rio de Janeiro (-0,99%).

No grupo Saúde e cuidados pessoais (0,28%), o resultado foi influenciado pelos produtos de higiene pessoal (0,51%), com destaque para o subitem perfume (1,74%), e o plano de saúde, cuja variação de 0,42% reflete a incorporação do reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para os planos contratados após a Lei nº 9.656/98, o percentual é de até 5,11%, com vigência a partir de maio de 2025 e cujo ciclo se encerra em abril de 2026. Para os planos contratados antes da Lei nº 9.656/98, os percentuais autorizados foram de 5,52% e 6,20%, a depender do plano.

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O grupo Transportes saiu de -0,03% em junho para 0,11% em julho, reflexo da alta de 11,70% da passagem aérea. Por outro lado, os combustíveis caíram 0,90%, com todos apresentando queda: etanol (-2,50%), óleo diesel (-1,32%), gás veicular (-0,97%) e gasolina (-0,68%)

No grupo Alimentação e bebidas (-0,66%), destaca-se a redução de 1,14% na alimentação no domicílio, com destaque para as quedas do tomate (-19,95%), da batata-inglesa (-10,03%) e do café moído (-3,13%). No lado das altas, destacam-se a cebola (7,10%) e o pão francês (0,65%).

A alimentação fora do domicílio saiu de 0,40% em junho para 0,55% em julho. A refeição (0,66%) registrou variação superior à registrada no mês anterior (0,39%), enquanto o lanche desacelerou de 0,45% em junho para 0,30%, em julho.

Quanto aos índices regionais, a maior variação foi registrada no Rio de Janeiro (0,44%), por conta das altas da passagem aérea (24,34%) e da energia elétrica residencial (4,88%). Já o menor resultado (-0,22%) ocorreu em Belém, destacando-se as reduções no açaí (-19,45%) e na gasolina (-3,35%).

Variação do IPCA-15 por região | Foto: IBGE / Divulgação / CP

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 17 de junho a 15 de julho de 2026 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 16 de maio a 16 de junho de 2026 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários-mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

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