A produção industrial nacional registrou queda de 0,8% em setembro de 2026 na comparação com o mês anterior, mantendo a trajetória predominantemente negativa que atinge o setor desde maio. Segundo dados divulgados pelo IBGE, nesta quinta-feira, a indústria brasileira já acumula uma perda de 4,1% ao longo desse período. O cenário interanual também mostra retração, com recuo de 2,5% em relação a setembro de 2025, o que resultou em um fechamento negativo de 1,4% para o terceiro trimestre do ano.
Porém, no acumulado no ano, janeiro-setembro de 2026, frente a igual período do ano anterior, o setor industrial mostrou acréscimo de 0,4%, com resultados positivos em duas das quatro grandes categorias econômicas, 9 dos 25 ramos, 32 dos 80 grupos e 40,8% dos 789 produtos pesquisados.
Recuo em 17 dos 25 ramos industriais pesquisados
O recuo generalizado de setembro atingiu três das quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos industriais pesquisados. O principal impacto negativo veio do setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que encolheu 4,2%, seguido pela indústria de produtos alimentícios, com queda de 1,7%. Outras baixas significativas ocorreram nos segmentos de veículos automotores (-1,2%), máquinas e equipamentos (-2,1%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-3,1%).
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Por outro lado, o setor extrativo foi o grande destaque positivo do mês, com uma expansão de 1,7% que interrompeu quatro meses consecutivos de taxas negativas. A fabricação de bens de consumo duráveis também registrou reação, com alta de 0,7% impulsionada pela produção de automóveis, motocicletas e eletrodomésticos, isolando-se como a única grande categoria econômica a avançar no período.
Entre as grandes categorias econômicas, ainda na comparação com agosto deste ano, bens de capital (-1,9%) foi a que apontou a queda mais elevada em setembro de 2026 e intensificou a perda que já tinha sido verificada em agosto (-0,1%). Os setores produtores de bens de consumo semi e não duráveis (-1,2%) e de bens intermediários (-0,7%) também assinalaram taxas negativas neste mês, com o primeiro acumulando perda de 2,9% em dois meses consecutivos de recuo na produção; e o segundo marcando o quinto mês seguido de queda, período em que acumulou redução de 3,5%. Por outro lado, o segmento de bens de consumo duráveis (0,7%) mostrou o único resultado positivo em setembro de 2026 e eliminou parte do recuo de 1,3% verificado no mês anterior.
Sobre a pesquisa
A PIM Brasil produz indicadores de curto prazo desde a década de 1970 relativos ao comportamento do produto real das indústrias extrativa e de transformação. A partir de março de 2023, teve início a divulgação da nova série de índices mensais da produção industrial, após reformulação para atualizar a amostra de atividades, produtos e informantes; elaborar uma nova estrutura de ponderação dos índices com base em estatísticas industriais mais recentes; atualização do ano base de referência da pesquisa; e a incorporação de novas unidades da federação na divulgação dos resultados regionais da pesquisa. Essas alterações metodológicas são necessárias e buscam incorporar as mudanças econômicas da sociedade.