Com o objetivo de impulsionar e acelerar startups deep techs, empresas dedicadas ao desenvolvimento de tecnologias fundamentadas em pesquisas científicas, um programa desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), em parceria com o Sistema Fiergs, com parceria técnica da consultoria Numerik, foi lançado nesta quarta-feira no Instituto Caldeira, em Porto Alegre.
O Programa Base é voltado a pesquisadores que realizam pesquisas de base com tecnologia aplicada - como mestrandos e mestres, doutorandos e doutores, e pesquisadores com interesse em transformar pesquisas e negócios. Também é voltado para negócios de base tecnológica e empresas/startups que buscam acelerar seu negócio. Ele será estruturado em quatro fases interdependentes, alinhadas às necessidades de cada empresa, para reconhecer a importância da tecnologia, apoiada em avanços científicos, e estimular um ecossistema que permita às pesquisas se transformarem em grandes negócios.
Diferentemente das startups tradicionais, que focam geralmente em modelos de negócios ou aplicativos, as deep techs se concentram em utilizar como base descobertas profundas nas mais variadas áreas do conhecimento.
“A proposta é que a gente consiga incentivar pesquisadores, mestrandos, mestres, doutorandos, doutores e pesquisadores a transformarem as suas pesquisas em negócios. Que eles consigam se conectar ao ecossistema de inovação, a um desenvolvimento de projetos disruptivos para a sociedade”, diz Bernardo Bonifácio, analista sênior de inovação e tecnologia da FIERGS. Ele entende que, em pelo menos cinco anos, será possível ter e receber efeitos positivos de transformação com as atividades.
O programa também está voltado para impulsionar deep techs que já existem no Rio Grande do Sul – no Brasil, são pelo menos 800. Para Bernardo, o projeto é como uma conexão entre dois mundos.
“É transformar aquele pesquisador que está em um laboratório, desenvolvendo o seu projeto e que tem condições de transformar isso em um produto, em serviço, em alguma coisa que consegue ser utilizado pelas indústrias, empresas, e pelo país como um todo. Então, ele transforma isso em um negócio que consiga ter lucro. É uma lógica de empreendedorismo científico”, resume.
Ao todo, o programa selecionará 150, pessoas, e poderão ser repassadas bolsas para 30 pesquisas, que terão apoio do Centro de Competência da Embrapii. Os demais selecionados terão acesso à área de negócios e desenvolvimento. Para Victória Kern, coordenadora do programa BASE, o programa tem viés de sensibilizar pesquisadores para irem para o mercado e os que já estão no mercado e querem fortalecer esse tipo de negócio que, nas suas palavras, promove o desenvolvimento econômico e sustentável.
Ele está desenhado em quatro fases interdependentes – Boost, Advance, Shape e Expand. No Boost, pesquisadores terão a oportunidade de transformar seus estudos em negócios. A Advance é para aqueles que já sabem como aplicar pesquisas como soluções de mercado, mas buscam apoio para elaborar planejamento estratégico. A Shape é focada nas startups já estruturadas e busca apoio às participantes que se tornarem deep techs. Já a Expand está voltada às empresas plenamente estabelecidas e buscando aceleração. Mais informações no link conteudos.senairs.org.br/programa-base.
“Quando a gente montou o programa, a gente entrevistou muitos pesquisadores e muitas empresas. E a gente queria entender quais eram as necessidades. O que a gente percebeu? Que não poderia montar um programa igual para todo mundo, na mesma caixa. Então a gente separou o programa em quatro fases, porque a gente viu que tem áreas, mercados, tecnologias muito distintas”, afirma Victória.
Durante o evento, ocorreu o painel “Deep Tech: mais que um hype, uma revolução”, com a participação da diretora-geral de Sesi-RS, Senai-RS e IEL-RS, Susana Kakuta; do gerente da Divisão de Tecnologia e Inovação do Senai-RS, Victor Gomes; da gerente de Redes de Inovação da Embrapii, Paula Nadai; e do CEO da Falker, Márcio Falker.
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