Economia

Projeção da inflação para 2016 ultrapassa teto da meta

Estimativa do Banco Central é de 6,64%

A projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2016 ultrapassou o teto da meta no Relatório de Mercado Focus e está agora em 6,64%. No levantamento anterior, o ponto central da pesquisa estava em 6,50%. No levantamento de quatro semanas atrás, em 6,22%. Os dados foram divulgados na manhã desta segunda-feira, pelo Banco Central (BC), que já avisou não focar mais 2016, mas, sim, 2017 em sua tarefa de levar a inflação para o centro da meta.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, o BC havia apresentado estimativa de 9,5% para este ano tanto no cenário de referência quanto no de mercado. Pelos cálculos da instituição revelados no RTI, o IPCA para 2016 subiu de 4,8% para 5,3% no cenário de referência e passou de 5,1% para 5,4% no de mercado. Na ata do Copom mais recente, o BC informou que suas projeções subiram ainda mais tanto no cenário de mercado quanto no de referência.

Para a inflação de curto prazo, a estimativa para novembro subiu de 0,66% para 0,85% de uma semana para outra ante taxa de 0,60% verificada há um mês. No caso de dezembro, a taxa passou de 0,75% para 0,82%. Quatro semanas atrás estava em 0,68%. As expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente subiram mais, passando de 6,76% para 7,13% - quatro edições atrás estavam em 6,50%.

A mediana das projeções do mercado financeiro para o IPCA de 2017, que é o novo foco de atuação do Banco Central, subiu de 5,00% para 5,10%, na abertura do Relatório de Mercado Focus. A taxa de 5,00% estava estacionada nesse patamar desde 9 de outubro. Para 2018 e 2019 não houve alteração nas estimativas do mercado: a inflação deve fechar em 5,00% em 2018 e em 4,50% em 2019.

Outros índices

Todas já na casa dos 10%, as previsões para os índice de preço no atacado voltaram a subir no Relatório de Mercado Focus. A mediana para o IGP-DI de 2015 passou de 10,54% para 10,90% - um mês atrás estava em 10,11%. Para 2016, a previsão central da pesquisa Focus saiu de 6,00% para 6,11% - quatro semanas atrás, estava em 6,00%.

No caso do IGP-M de 2015, a taxa mediana subiu de 10,26% para 10,38%, bem acima da expectativa apresentada um mês atrás, que era 9,59%. Para 2016, o ponto central da pesquisa avançou de 6,19% para 6,29% - quatro edições anteriores estava em 6,01%.

A estimativa para o IPC-Fipe, que mede a inflação para as famílias de São Paulo, subiu de 10,26% para 10,32%. no caso de 2015 - um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 9,86%. Para 2016, a expectativa avançou de 5,12% - taxa da semana passada e também de um mês antes - para 5,46% agora.

Selic

Na semana da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano, o mercado financeiro promoveu ainda uma mudança nas expectativas para o comportamento da taxa básica de juros ao final do ano que vem. No Relatório de Mercado Focus, a mediana das expectativas para a Selic de 2016 passou de 13,25% para 13,75% ao ano, o que indica uma trajetória ainda mais conservadora para a taxa básica. Um mês antes, a mediana das projeções no boletim Focus para a Selic do mesmo período era de 13,00% ao ano.

Com essa mudança, a Selic média de 2016 foi ajustada de 14,06% para 14,16% aa. Um mês antes, a mediana das previsões para essa variável estava em 13,88% ao ano.

Para este ano, as projeções ficaram inalteradas: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% ao ano, taxa em que se encontra atualmente e o juro médio deste ano deve ser de 13,63% ao ano. O foco do Banco Central para a meta foi deslocado para 2017, mas com a promessa de que seguirá "vigilante".

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, a estimativa para 2015 ficou congelada em 14,25% ao ano - previsão apontada já há 22 semanas. No caso da mediana das previsões para 2016, segue em 13,00% aa - quatro semana antes estava em 12,75% AA.

Dólar

O Relatório Focus trouxe mais um ajuste para baixo das previsões para a cotação do dólar. De acordo com o boletim, a moeda deve chegar ao final deste ano comercializada a R$ 3,95, e não mais em R$ 3,96 como era o esperado até a semana passada.

Um mês antes, a mediana das previsões estava em R$ 4,00. Apesar disso, o câmbio médio de 2015 permaneceu em R$ 3,39 de uma semana para outra - quatro edições da pesquisa atrás, a mediana das expectativas estava em R$ 3,41.

Para o encerramento de 2016, a mediana das estimativas para o dólar seguiu em R$ 4,20 pela quarta semana seguida. Já o ponto central da pesquisa para a cotação média de 2016 aumentou de R$ 4,08 para R$ 4,09 de uma semana para outra. Um mês antes, a mediana estava em R$ 4,05.

PIB

Depois de mais uma queda do IBC-Br em setembro, o Focus trouxe ajustes para as expectativas em torno dos dados de atividade do País. De acordo com o documento divulgado pelo Banco Central, a perspectiva de retração do Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem passou de 2,00% para 2,01%. Há um mês, a mediana das projeções estava em -1,43%. Para 2015, a perspectiva de contração aumentou de 3,10% para 3,15% - um mês antes
estava em queda de 3,02%.

Segundo o IBGE, o PIB brasileiro caiu 2,6% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro e 1,9% ante o mesmo período de 2014. No início do mês que vem, o Instituto trará o resultado da economia no terceiro trimestre de 2015. No Relatório Trimestral de Inflação de setembro, o BC revisou de -1,1% para -2,7% sua estimativa para a retração econômica deste ano.

No caso da produção industrial, a mediana das expectativas para 2015 passou de -7,40% para -7,50% - um mês antes estava em -7,00%. Para 2016, voltou de -2,15% para -2,00%. Há quatro semanas, estava em -1,50%.

Já na relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB de 2015, a projeção dos analistas ficou inalterada em 35,50% de uma semana para outra - quatro edições antes estava em 35,85%. Para 2016, no entanto, a taxa subiu de 39,40% para 40,00% - um mês antes estava em 39,20%.

Superávit comercial

Com a proximidade do final do ano, a melhora das estimativas para o setor externo no Relatório de Mercado Focus começa a perder força. No documento divulgado pelo Banco Central, a mediana das projeções para a balança comercial de 2015 ficou congelada em 14,95 bilhões de dólares de uma semana para outra. Quatro boletins atrás, estava em 14 bilhões de dóalres. Para 2016, o ponto central da pesquisa também foi deslocado de 30,55 bilhões de dólares para
31,78 bilhões de dólares - quatro edições atrás do documento, estava em 26,30 bilhões de dóalres.

As previsões para a conta corrente, por sua vez, passaram por ajustes para baixo ante a semana anterior. No caso de 2015, passou de 64,85 bilhões de dólares para 64,35 bilhões de dólares - um mês antes estava em 65 bilhões de dólares. Já para 2016, a perspectiva de saldo negativo diminuiu de 40,95 bilhões para 39,10 bilhões de dólares - um mês antes estava em 46,35 bilhões de dóalres.

Nos últimos meses, segundo participantes, os analistas tentam reestimar as projeções levando em consideração a mudança de metodologia da nota do setor externo, em abril. A mediana das previsões para o novo Investimento Direto no País (IDP) permaneceu em 62,80 bilhões de dólars para 2015 de uma semana para outra e avançou de 58 bilhões de dólares para 59 bilhões de dólares no caso de 2016. Quatro semanas atrás, estava em 59 bilhões de dólares.

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