Economia

Projeção para inflação 2016 sobe de 7,20% para 7,31%, divulga BC

Segundo relatório Focus, previsão do IPCA para 2017 se manteve em 5,14%

Projeção para inflação 2016 sobe de 7,20% para 7,31%, divulga BC
Projeção para inflação 2016 sobe de 7,20% para 7,31%, divulga BC Foto : Marcos Santos / USP Imagens / Reprodução / CP
No primeiro relatório Focus divulgado após os dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), as previsões para a inflação em 2016 pioraram no Relatório Focus. Em meio à forte pressão nos preços dos
alimentos, os economistas do mercado elevaram de 7,20% para 7,31% a projeção mediana para o IPCA este ano. Quatro semanas atrás, estava em 7,26%.

Para 2017, após uma série de cortes nas projeções, o mercado manteve em 5,14%, nesta semana, a previsão para o IPCA. Um mês antes, estava em 5,30%. Na última quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação em julho foi de 0,52%, acima da mediana de 0,45%.

No comunicado do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) e na ata da reunião, o BC havia informado que, pelo cenário de referência, que pressupõe a Selic (a taxa básica de juros) inalterada em 14,25% ao ano e um dólar a R$ 3,25, as projeções apontam para uma inflação em torno da meta de 4,5% já em 2017.

No cenário de mercado, que utiliza as trajetórias para os juros e o câmbio apuradas na pesquisa Focus, a inflação projetada para 2017 está em torno de 5,3%. Para 2016, a ata do Copom indicou que as projeções, tanto no cenário de referência quanto no de mercado, apontam para uma inflação em torno de 6,75%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do índice no médio prazo, denominadas Top 5, as medianas das projeções para este ano no relatório Focus também pioraram, passando de 7,20% para 7,41%. Para 2017, foram de 4,97% para 5,25%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 7,18% e 5,33%.

Já a inflação suavizada 12 meses a frente voltou a ceder, passando de 5,48% para 5,42% de uma semana para outra - há um mês, estava em 5,70%. As estimativas para os índices mensais mais próximos seguiram resilientes: as de agosto passaram de 0,30% para 0,32% (quatro semanas antes estavam em 0,31%). Para setembro, seguiram em 0,35%, sendo que um mês antes estavam em 0,38%.

Preços administrados

O Relatório de Mercado Focus voltou a mostrar mudanças nas projeções para os preços administrados, tanto em 2016 quanto em 2017. A mediana das previsões do mercado financeiro para este indicador este ano passou de alta de 6,20% para avanço de 6,18%.

No próximo ano, as projeções também melhoraram, e a mediana passou de alta de 5,50% para elevação de 5,35%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 6,70% para os preços administrados em 2016 e elevação de 5,50% para 2017.

O BC contava com forte desinflação desse segmento para levar o IPCA para o intervalo de 4,5% a 6,5% em 2016 - uma perspectiva que vai ficando distante, pelos dados do Focus. Nos últimos tempos, o dólar mais baixo também vinha colaborando.

Em comunicações recentes, o BC enfatizou ainda que a retração econômica pode ajudar no processo de desinflação. Por outro lado, disse que a inflação corrente e as expectativas, ambas elevadas, seguram este processo.

Na ata do último encontro do Copom, a instituição projetou uma variação de 6,6% para os preços administrados em 2016 e de 5,3% para 2017.

PIB

As projeções do relatório Focus desta semana alteraram de forma marginal as expectativas para a atividade do País em 2016, que continuaram mostrando uma forte recessão para o ano. Pelo documento, houve ligeira melhora nas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano: a mediana projetada passou de uma retração de 3,23% para um declínio de 3,20%. Há um mês, o mercado previa uma queda de 3,25%.

Para 2017, o cenário segue um pouco melhor, com perspectiva de PIB positivo. Ainda assim, o mercado prevê para o País, conforme o relatório Focus, um crescimento de apenas 1,10% no próximo ano, mesmo porcentual projetado há uma semana e há um mês.

Em junho, o BC informou no Relatório Trimestral de Inflação que sua nova estimativa para o PIB deste ano é de retração de 3,3%, ante baixa de 3,5% vista na edição anterior do documento. Durante evento em São Paulo na última sexta-feira, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que "o elemento mais essencial para a recuperação econômica sustentável será a retomada da confiança". "Para isso, é necessário, em primeiro lugar, fortalecer o velho e bom tripé macroeconômico formado por responsabilidade fiscal, controle da inflação e regime de câmbio flutuante."

Selic

O relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, 15, pelo Banco Central mostrou que, na visão do mercado, para conter a inflação em 2016 a instituição precisará encerrar o ano com uma Selic (a taxa básica de juros da economia) ainda mais elevada. A mediana do mercado financeiro para a Selic em 2016 subiu de 13,50% para 13,75% ao ano. Há um mês, estava em 13,25% nas mesma pesquisa do BC.

Para o fim de 2017, o mercado seguiu projetando, pela sétima semana consecutiva, uma Selic a 11,00% ao ano. Já a Selic média de 2016 foi de 14,13% para 14,16% ao ano. Para 2017, passou de 11,75% para 11,78%. Há um mês, a mediana das taxas médias projetadas para este e o próximo ano eram de, respectivamente, 14,06% e 11,75%.

Há duas semanas, o mercado já havia promovido uma elevação de 13,25% para 13,50% - taxa mantida nos dois relatórios mais recentes - da Selic do fim de 2016, na esteira das sinalizações recentes do BC de que não há espaço para redução da taxa básica no curto prazo. Uma das dificuldades é justamente a inflação de curto prazo, pressionada pelos preços dos alimentos.

Para os analistas, a taxa básica - que atualmente está em 14,25% ao ano - terminará 2016 em 13,75% ao ano, como previam na semana anterior. Um mês atrás, estava nos mesmos 13,75%. Para o ano que vem, as estimativas ficaram estáveis em 11,25% ao ano.

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