Depois de oito semanas consecutivas em queda, a mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2016 teve alta no Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central
(BC). Agora, a taxa está em 7% ante 6,94% da semana passada, mas ainda abaixo dos 7,14% projetados quatro semanas atrás.
O foco do Banco Central para alcançar a meta de inflação de 4,5% não é mais 2016, mas sim 2017. No caso do ano que vem, a mediana caiu de 5,72% para 5,62%. Há quatro semanas estava em 5,95%. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado em março, a estimativa do BC para o IPCA de 2016 estava em 6,6% no cenário de referência e 6,9% no cenário de mercado.
Para a inflação de curto prazo, a estimativa para maio teve uma leve alta, de 0,50% para 0,52% de uma semana para outra, ante taxa de 0,50% verificada há um mês. No caso de junho, a taxa ficou mantida em 0,34% de uma semana para outra. Quatro semanas atrás estava em 0,35%. Já as expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente caíram, passando de 6,19% para 6,15% - quatro edições atrás estavam em 6,43%.
Administrados
As projeções do mercado financeiro para os preços administrados de 2016 foram revisadas para cima. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, a mediana das expectativas para este ano ficou em 7,00% nesta semana, contra 6,95% da semana passada. Estava em 7,20% há quatro semanas.
O Banco Central conta com uma forte desaceleração dos preços monitorados pelo governo para deixar o IPCA abaixo do teto da meta em 2016. Para 2017, a mediana das estimativas para os preços administrados sofreu uma queda, indo de 5,73% na semana passada para 5,50% - há quatro semanas estava em 5,70%.
Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na semana passada, o Banco Central informou que projeta uma alta de 6,8% nos preços administrados em 2016, ante uma previsão anterior de elevação de 5,8%. Entre outros fatores, essa projeção considera reajuste médio de 19,0% nas tarifas de água e esgoto, de 12,8% nos preços dos medicamentos e redução de 3,2% nos preços da energia elétrica. Para 2017, a expectativa apresentada é de uma alta de 5,0%.
IGPs e IPC-Fipe
As previsões para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de 2016, que ficaram em 7,12% no Relatório de Mercado Focus da semana passada, foram revisadas para baixo no documento divulgado nesta segunda pelo Banco Central. A mediana para o indicador deste ano foi para 7,03% - um mês atrás estava em 7,40%. No caso do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de 2016, a taxa mediana foi mantida em 7,35%, contra a expectativa de 7,47% apresentada um mês atrás.
Para 2017, a previsão central da pesquisa Focus para o IGP-DI ficou em 5,59%, ante 5,60% da semana passada - há um mês, estava em 5,50%. Em relação ao IGP-M, o ponto central da pesquisa ficou em 5,60%. Na semana passada estava em 5,62% e há um mês, 5,61%.
A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), que mede a inflação para as famílias de São Paulo, teve uma alta, indo de 7,00% para 7,04% de uma semana para outra para o horizonte de 2016 - um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 7,27%. Para 2017, a expectativa passou de 5,40% para 5,50% - estava também em 5,50% um mês atrás.
PIB
Pela primeira vez desde 17 de outubro de 2014, analistas do mercado financeiro melhoraram suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2016. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, a perspectiva de retração da atividade passou de 3,89% para 3,86%. Uma revisão para cima do número não era feita há 81 edições do documento.
A projeção vinha piorando desde a reeleição da presidente da República, Dilma Rousseff. Há um mês, a mediana das projeções estava negativa em 3,77%.
No Relatório Trimestral de Inflação divulgado em março, o BC revisou de -1,9% para -3,5% sua estimativa para a retração econômica deste ano.
Para 2017, a previsão de crescimento do PIB teve uma nova melhora, de um crescimento de 0,40% para 0,50% - um mês antes, a expectativa era de uma alta de 0,30%.
Produção Industrial
Já a mediana das expectativas para a produção industrial de 2016 foi revisada de -5,83% na última semana para -5,95% - um mês antes estava em -5,60%. Para 2017, passou de um crescimento de 0,50% para 0,74%. Há quatro semanas, estava em 0,69%.
Dívida/PIB
No caso da relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB de 2016, a projeção dos analistas ficou mantida em 41,40% - quatro edições antes estava em 41,20%. Para 2017, a taxa passou de 46,15% para 46,65% - um mês antes estava em 46,20%.
Balança comercial
O relatório revelou também que as estimativas dos analistas para a balança comercial de 2016 passaram de um saldo positivo de 48 bilhões de dólares para 46,40 bilhões de dólares. Quatro boletins atrás, estava em 45 bilhões de dólares. O ponto central da pesquisa de 2017 ficou mantido em 50 bilhões de dólares - quatro edições atrás do documento, estava também em 50 bilhões de dólares.
Já as previsões de déficit para a conta corrente de 2016 permaneceram em 20 bilhões de dólares - um mês antes estavam também em 20 bilhões de dólares. Para 2017, a perspectiva de saldo negativo foi alterado de 17,75 bilhões de dólares para 18 bilhões de dólares - um mês antes estava em 18 bilhões de dólares.
A mediana das previsões para o Investimento Direto no País (IDP) em 2016 teve leve queda, de 58 bilhões de dólares na semana passada para 57,35 bilhões de dólares nesta semana - há quatro documentos estava em 55 bilhões de dólares. Para 2017, ficou estável em 60 bilhões de dólares. Quatro semanas atrás, estava em 55 bilhões de dólares.
Selic
O mercado financeiro revisou a expectativa para a taxa básica de juros da economia para este ano. O Relatório de Mercado Focus projeta que a taxa Selic encerrará 2016 em 13% ao ano, contra 13,25% da semana passada - há quatro semanas, estava em 13,75% a.a.
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o colegiado manteve a Selic inalterada em 14,25% a.a., em decisão unânime. O foco do Banco Central para a meta de inflação é o ano de 2017. Para o ano que vem, o mercado espera que a taxa Selic termine o ano em 11,75% ao ano, mesmo valor projetado na semana passada - há quatro documentos estava em 12,25%.
Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, a estimativa para 2016 subiu de 13,38% a.a para 13,88% a.a.. Um mês atrás, a mediana das projeções estava em 13,75% a.a. Já para 2017, a previsão é que a taxa encerre o ano em 12,63% a.a., ante 12,25% a.a. do último documento - há quatro semanas estava em 12,25% a.a..
Câmbio
O mercado financeiro também revisou suas estimativas para o comportamento do dólar neste ano. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, a moeda norte-americana deve chegar em 31 de dezembro comercializada a R$ 3,70, ante R$ 3,72 do levantamento da semana passada. Um mês antes, a mediana das previsões estava em R$ 4. O câmbio médio de 2016 ficou em R$ 3,65, contra R$ 3,66 da semana passada e R$ 3,82 registrados há um mês.
Para o encerramento de 2017, a mediana das estimativas para o dólar ficou em R$ 3,90, ante R$ 3,91 da semana passada - estava R$ 4,10 há um mês. O ponto central da pesquisa para a cotação média de 2017 caiu de R$ 3,90 para R$ 3,86 - um mês antes estava em R$ 4,02.
Projeção para IPCA sobe de 6,94% para 7%, indica Focus
Foco do Banco Central é alcançar a meta de inflação de 4,5% em 2017