Transformar a vida de mulheres em situação de vulnerabilidade fomentando a autonomia e conscientizando sobre defesa de direitos e proteção contra a violência. Com este objetivo, o Projeto Mulheres Transformam, do Instituto Vakinha, chega ao seu quarto ano perseguindo o recorde de 500 mulheres beneficiadas em uma só edição.
As duas primeiras turmas do ano somaram 102 vagas e foram concluídas em julho. A primeira beneficiou mulheres da zona leste de Porto Alegre e foi realizada na sede da entidade parceira Fundação Irmão José Otão (FIJO), braço social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). A segunda turma teve a parceria da Sol Maior e alcançou mães de crianças atendidas pela entidade, especialmente da região central da Capital.
Em agosto, a novidade do projeto é o aporte de R$ 500 mil do RegeneraRS, fundo filantrópico-catalítico criado por entidades privadas, como Gerdau, Vale e Instituto Helda Gerdau (IHG), com o objetivo de acelerar a regeneração do Rio Grande do Sul após os eventos climáticos de 2024. A iniciativa direciona recursos para soluções de alto impacto social que promovam a resiliência do Estado.
“O apoio do RegeneraRS, além de representar uma chancela à seriedade do Instituto Vakinha e aos bons resultados do Mulheres Transformam, garante a ampliação de nosso alcance geográfico, para que o projeto chegue a mais mulheres”, explica a vice-presidente do Instituto Vakinha, Renata Fehlauer. Para Manuela Fonseca, coordenadora do RegeneraRS, a decisão de apoiar o projeto pelo segundo ano consecutivo “reafirma o propósito de estar ao lado de iniciativas com potencial para transformar vidas e apoiar mulheres atingidas pelas enchentes”.
A terceira turma do Mulheres Transformam 2026 já tem data, local e público-alvo: será realizada na Fundação Pão dos Pobres, de 21 a 25 de setembro, reunindo mães de alunos, alunas maiores de 18 anos e mulheres atendidas em projetos sociais da Fundação. “A entrada da Fundação Pão dos Pobres como parceira é outro aval importante para o projeto, pela tradição e qualificação da entidade como geradora de iniciativas de impacto social”, afirma Renata Fehlauer.
O projeto
O "Mulheres Transformam" é uma iniciativa voltada a mulheres em situação de vulnerabilidade social que inclui capacitação presencial de cinco dias para fomento da autonomia, mentoria de 90 dias para acompanhamento de projetos das alunas, capital semente como primeiro impulso e um pacote robusto de apoio para viabilizar a participação das mulheres, com auxílio transporte, alimentação e recreação infantil diárias para os filhos. O projeto também fornece orientações sobre defesa de direitos, políticas públicas e formas de identificação e enfrentamento de situações de violência doméstica.
Um dos parceiros da edição de 2026 é o Senac, com conteúdos que vão do autoconhecimento e gestão do tempo até a organização de metas e tomada de decisão. O objetivo é transformar as participantes em protagonistas de suas trajetórias e fortalecer iniciativas lideradas por mulheres, ampliando renda e autonomia.
No tema dos direitos e da proteção às mulheres, a parceria é com o Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), com uma grade de conteúdos que inclui workshop sobre direitos e leis de proteção; ferramentas digitais e canais de denúncia e proteção; letramento jurídico e fortalecimento da autoestima como barreira contra o ciclo da violência.
Vakinha e Instituto Vakinha
Em 2006, o empreendedor gaúcho Luiz Felipe Gheller e sua noiva planejavam viver fora do Brasil e, por isso, não queriam presentes de casamento físicos. Percebeu a oportunidade de criar, no ambiente digital, uma forma mais descomplicada de arrecadar contribuições. Três anos depois a ideia se transformou em uma empresa. Ao lado do sócio Fabrício Milesi, Gheller lançou a Vakinha (vakinha.com.br). Quase duas décadas depois, o site soma mais de 13 milhões de usuários com mais de 2 mil campanhas criadas diariamente, transformando-se em uma das maiores plataformas de financiamento coletivo digital do país.
Em 2020, no auge da pandemia, o grupo criou o Instituto Vakinha, organização filantrópica dedicada a fomentar a cultura da doação e promover a transformação de vidas. O carro-chefe do Instituto é o “Mulheres Transformam”, que já alcançou mais de 500 mulheres em quatro edições e, em 2026, busca o recorde de beneficiar outras 500 mulheres em um só ano. Além deste projeto, o Instituto atua em iniciativas de fortalecimento da rede sócio-assistencial e em campanhas emergenciais, a exemplo da campanha SOS Enchentes 2024, que reuniu quase R$ 80 milhões em prol das vítimas no Rio Grande do Sul.