Com o objetivo de levar oportunidades para o mercado de trabalho a jovens em situação de vulnerabilidade, o projeto Pescar, que nasceu em Porto Alegre, atua há quase 50 anos com seu programa de formação socioprofissionalizante. Uma pesquisa conduzida pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação e Economia Social (Lepes), da Universidade de São Paulo (USP), apontou que nove de cada dez egressos conseguiram seus empregos após a conclusão dos cursos do projeto. Intitulada "Pesquisa de Monitoramento de Egressos do Projeto Pescar" - As histórias e trajetórias de uma amostra de egressos”, o estudo contatou 3.369 jovens, oriundos de turmas de 2018 a 2024, que passaram pelas formações gratuitas nos doze estados que compõem o projeto. Os resultados foram divulgados na manhã desta terça-feira, na sede do Pescar na Capital.
Entre os principais resultados do perfil dos egressos, o estudo apontou que a remuneração média é de R$ 2.488,44, e que, sete anos de conclusão do projeto, um egresso ganha 42% a mais que um jovem da mesma idade que não passou pelo projeto. A pesquisa também registrou que metade das mães pelos egressos não terminaram a educação básica, e que 75,6% de seus filhos concluem o ensino médio. Dos que trabalham, mais de 90% estão no mercado formal.
Os participantes têm origem em domicílios economicamente frágeis, e a pesquisa registrou que há mobilidade econômica e social. Os domicílios dos alunos ouvidos possuem até R$ 990,05 renda per capita. E, para cada R$100,00 que um jovem brasileiro ganha trabalhando, um egresso do Pescar recebe R$133,00. Ainda, sete de cada dez entrevistados continuaram seus estudos após concluírem o curso.
A presidente da diretoria voluntária da Fundação Projeto Pescar, Adriana Loiferman, destacou que a pesquisa mostra qual é o impacto social do projeto ao longo dos últimos anos. "A gente focou, principalmente, em quatro pilares: a continuidade dos estudos, a inserção deles no mercado de trabalho, o desenvolvimento de competências e também a construção dos projetos de vida desses jovens", afirmou.
A amostra contou com pesquisa quantitativa, por meio de questionários, e também com pesquisa qualitativa, por meio de entrevistas individuais e por grupos focais. Fernando de Bezerra Lollo, diretor-executivo do Lepes/USP, destaca que o trabalho enquanto academia é criar conhecimento e mostrar à sociedade que iniciativas como a do Pescar são importantes em uma etapa que necessita de apoio na transição à vida adulta.
"A transição da escola para o mundo do trabalho, para o jovem, é super complicado. Ingressar em uma carreira, ter um um trabalho digno, é uma dificuldade de uma faixa etária que lida com tantas transformações na vida, e essa é uma das cruciais. O Pescar faz um trabalho muito legal apoiando o jovem nessa etapa", explica. Ele acrescenta que, como a pesquisa mostra, há ganhos para a renda e empregabilidade dos jovens vulneráveis para ter uma vida adulta digna.