O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), comentou sobre as relações comerciais com os Estados Unidos e a política econômica interna do Brasil em entrevista ao programa ReConversa, do jornalista Reinaldo Azevedo, no YouTube.
Alckmin expressou otimismo, mas com cautela, sobre a retirada das tarifas americanas aplicadas a produtos brasileiros. Ele destacou que o total de bens ainda afetados pelo tarifaço caiu de 36% para 22%.
"Essas coisas não dependem de nós. Se dependesse de nós, era 100% para resolver. Eu acredito que vai passo a passo", declarou o vice-presidente. "Eles [americanos] estão tirando [tarifas] em etapas. Eu diria que as próximas etapas vão ser positivas", completou.
Confiança na queda da Selic
Em relação à economia interna, o ministro da Indústria afirmou estar confiante na redução da taxa básica de juros, a Selic, citando o impacto negativo do juro alto sobre a indústria.
"Eu estou confiante na questão dos juros, porque a indústria é a mais afetada pela taxa de juros muito alta. Acredito que vai começar a cair a taxa de juros se não agora, na próxima reunião", disse, referindo-se à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que ocorre nesta quarta-feira. Ele justificou o otimismo com a queda do dólar e os recuos nos preços dos alimentos, favorecidos pelo clima e pela "supersafra" deste ano. "Os juros caindo, a economia floresce mais rápido", avaliou.
Apesar do cenário positivo em relação à inflação e ao emprego, Alckmin ponderou que o governo precisa fazer um esforço fiscal maior.
"Nós estamos neste momento com 5,4% de desemprego, o menor da série histórica, e com 4,4% de inflação, caindo, isso é raro. Claro que a gente não deve ficar em berço esplêndido, não. Nós temos que fazer um esforço fiscal maior, a questão das despesas, mas eu diria que o cenário é um cenário positivo.",
- “Não devemos ficar em berço esplêndido, temos de fazer um esforço fiscal maior”, diz Alckmin
- Alckmin sobre projeto do devedor contumaz: “importantíssimo e quero que seja votado em 2025”
Crítica à gestão fiscal anterior
Por fim, o vice-presidente criticou a gestão fiscal do governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL), ao mencionar os déficits históricos. "O governo do nosso Paulo Guedes, o 'Chicago boy', conseguiu fazer um déficit de 9,7% [do PIB]", criticou. "Nós temos que começar a fazer superávit agora, para estancar o crescimento da dívida e depois ela começar a cair".