Economia

Puxada pelos alimentos, inflação tem a maior alta em seis anos

Índice de Preços ao Consumidor Amplo subiu 7,23% em um ano, segundo IBGE

A inflação voltou a subir em agosto e atingiu o maior nível em seis anos, mostrando que o consumo continua alto no País, apesar das medidas do governo para esfriá-lo. Os preços medidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tiveram alta de 0,37% no mês e, nos 12 meses encerrados em agosto, subiram 7,23%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou as informações nesta terça-feira. Esse número é o mais alto desde junho de 2005 (quando os preços aumentaram 7,27%).

Os novos números mostram que a inflação se distanciou ainda mais da margem de segurança. O governo trabalha com um regime de metas, que visa a deixar o aumento de preços em um nível aceitável, sem afetar o bolso do brasileiro ou corroer a renda do trabalhador.

Essa meta é de 4,5% para este ano, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Isso significa que ainda é seguro manter a inflação entre 2,5% e 6,5%. Só que, desde setembro do ano passado, os preços já subiram mais de 7,2%.

Desde janeiro, os preços vinham desacelerando sem parar, em meio a uma política do governo de aumentar os juros para encarecer o crédito e diminuir o consumo. Em janeiro, por exemplo, o IPCA havia subido 0,83% em relação a dezembro. Em junho, a alta havia sido de 0,16% ante maio. Em julho, os preços voltaram a subir (0,16%) e agora, mais do que dobraram entre um mês e outro.

Os maiores preçoss foram os dos alimentos. Em julho, os gastos com a comida haviam caído 0,34%. Agora, os preços aumentaram 0,72%. Só esse tipo de custo representou quase metade de todo o aumento do índice do mês – 0,17 ponto percentual dos 0,37%, ou 45% do total.

Vários produtos aumentaram de valor, com destaque para as carnes (cujos preços foram de uma queda de 1,12% para um aumento de 1,84%). Segundo o IBGE, este foi o item que, sozinho, exerceu o principal impacto individual no IPCA de agosto. Nos últimos 12 meses, elas já encareceram 17,1%.

Outros alimentos acumulam aumentos fortes: é o caso das hortaliças e verduras (aumento de 17,8%), dos pescados (12,7%), das carnes e peixes industrializados (11,5%), das aves e ovos (12,3%), dos leites e derivados (9,9%), dos panificados (8,24%) e das bebidas (10,3%).

De um ano para cá, somente os cereais (incluindo o arroz e o feijão) acumulam queda de preço. De resto, todos os alimentos tiveram aumentos fortes, inclusive a alimentação fora de casa – que subiu 11,5% graças ao encarecimento dos serviços, isto é, dos salários dos garçons, baristas, cozinheiros e outros.

Entre as outras categorias de gastos, somente os transportes tiveram queda de preços (de 0,46% para -0,11%). Isto se deve, principalmente, à redução das tarifas aéreas, dos preços do automóvel novo e usado, das tarifas dos ônibus interestaduais, do seguro de veículos e da gasolina.

Outro fator que ajudou a reduzir os custos desse segmento foi a desaceleração forte do preço do etanol – o grande vilão da inflação desde o começo do ano. O álcool combustível passou de 4,01% para 0,3% entre julho e agosto. A habitação foi de 0,27% de julho para variação de preços de 0,32%, em agosto, graças ao aluguel residencial mais caro. Depois das carnes, esse foi o item que exerceu o segundo maior impacto no mês (0,03 ponto percentual da taxa de 0,37% do mês.

Houve alta dos eletrodomésticos, com destaque para refrigerador e máquina de lavar. Os artigos de vestuário (de 0,10% para 0,67%) também contribuíram para a maior taxa de agosto, com destaque para roupas femininas e masculinas após o fim das promoções de inverno e entrada da coleção primavera-verão.

Os salários dos empregados domésticos, embora tenham continuado em alta, subiram menos do que no mês anterior. Mesmo assim, o grupo das despesas pessoais (de 0,49% para 0,50%) apresentou resultado muito próximo ao do mês anterior, já que outros itens mostraram aceleração, a exemplo, dos serviços de cabeleireiros. A pequena alta do grupo educação (de 0,11% para 0,17%) refletiu os resultados apurados em agosto, a fim de obter a realidade do segundo semestre do ano letivo.

Indicador oficial de inflação do governo, o IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, e se refere às famílias com rendimento monetário de 1 a 40 salários mínimos (R$ 545 a R$ 21,8 mil), abrangendo nove regiões metropolitanas do País, além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do índice de agosto foram comparados os preços coletados no período de 28 de julho a 26 de agosto de 2011 (referência) com os preços vigentes no período de 29 de junho a 27 de julho de 2011 (base).

As informações são do R7


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