"A Rússia cruzou o limiar da OMC", disse Lamy, antes de lembrar que, com este novo membro, a OMC cobrirá 98% do comércio mundial, em comparação com os 94% até agora. O negociador-chefe da Rússia Maxim Medvedkov, reconheceu que quando seu país entregou em 1993 sua demanda de adesão, "não estava bem". "Hoje a situação é melhor", acrescentou. Um terço do PIB russo depende do comércio. Outros países da antiga União Soviética também negociam uma adesão na OMC, como é o caso do Uzbequistão, Belarus o Cazaquistão.
A entrada da Rússia foi aprovada por uma comissão especial da organização, que se reuniu pela última vez hoje. Seu presidente, o embaixador Stefan Johannesson, disse que este é um "resultado histórico para a OMC". A próxima etapa do processo de adesão será durante a Conferência Ministerial em dezembro. Nesta ocasião será formalizada a adoção do país como novo membro.
O último tramite ocorre no Parlamento, após 30 dias da ratificação. "A Duma (Parlamento russo) vai ratificar a adesão no início de janeiro", informou o negociador russo.
Para entrar na OMC, cada país candidato precisa negociar bilateralmente com todos os Estados membros sobre o aceso mútuo ao mercado, o que explica a lentidão do processo. A Geórgia, membro da OMC desde 2000, bloqueou as negociações russas por três anos por causa das disputas fronteiriças. Graças à intermediação da Suíça, Rússia e Geórgia firmaram na quarta-feira um acordo para acabar com as disputas, o que liberou o processo de adesão russo.
Antes disto, a Rússia precisou concluir 30 acordos bilaterais para ter acesso aos mercados de serviço e 57 para o acesso de bens. Para os acordos, Moscou concordou baixar suas tarifas para 7,3%, contra os 10% hoje. No que diz respeito às telecomunicações, concordou em acabar, dentro de quatro anos, com o limite máximo de 49% de capital estrangeiro. No domínio bancário, os bancos estrangeiros poderão abrir filiais livremente na Rússia, mas não poderão representar mais do que os 50% do sistema bancário russo.
Além disso, a partir da data de entrada, as importações de álcool e produtos farmacêuticos não precisarão de licenças para importação. O país também se comprometeu em aplicar taxas comerciais "normais" para o gás natural.