Economia

Real e yuan devem ser consideradas pelo FMI, diz secretário da Fazenda

Revisão da cesta de moedas do Fundo pode incluir moeda brasileira

O secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Márcio Bicalho Cozendey, disse que "é natural" que, com a evolução da participação dos países emergentes na economia internacional, a cesta que compõe os Direitos Especiais de Saque (SDR, na sigla em inglês) do Fundo Monetário Internacional (FMI) "evolua" de forma a refletir essa participação.

Cozendey lembrou que, no passado, o número de moedas que compunham a cesta do SDR já foi maior. "Ou seja, não há um número máximo de moedas que possam compor a cesta", disse. Ele informou que o G-20 recomendou que o FMI prossiga na discussão sobre melhor especificação dos critérios para inclusão na cesta de novas moedas, como a participação no comércio e de a moeda ser livremente utilizável. "Atenção, não é livremente conversível", ressaltou Cozendey.

Segundo ele, o Brasil tem interesse na discussão de um maior papel para o SDR no sistema monetário internacional. "Embora essa discussão tenha sido prevista no mandato do grupo do G-20 que examinou, durante o ano, o tema da Reforma do Sistema Monetário Internacional, ela avançou pouco", disse o secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda. "Alguns países, notadamente os Estados Unidos, não são favoráveis a uma extensão do SDR e acham que o tema das moedas de reserva deveria ter uma evolução de 'mercado', em que o dólar norte-americano conviveria com outras moedas na medida em que os mercados as utilizassem mais", explicou.

Na opinião do governo brasileiro, contudo, disse Cozendey, o SDR poderia ter uma função importante na regulação da liquidez internacional, e "valeria a pena uma discussão mais ampla sobre as possibilidades e consequências de novas utilizações". Segundo Cozendey, o SDR tem atualmente uma função de moeda escritural que serve a operações no interior do FMI, isto é, não serve para realizar pagamentos de comércio, saldar dívidas fora do FMI, entre outras ações. "Funciona, porém, como moeda de reserva, na medida em que serve para saldar compromissos com o FMI ou outros países no interior do FMI", explicou.

Revisão da cesta

O FMI vai divulgar até o final deste mês os critérios para a inclusão de novas moedas na cesta que compõe os SDR, antecipou uma alta fonte do fundo à Agência Estado. Esse é o primeiro passo para que moedas de países como o Brasil e a China façam parte da cesta, hoje privilégio apenas de Estados Unidos, Japão, zona do euro e Reino Unido.

"Existe já há algum tempo uma expectativa de que a cesta precisa ser ampliada em algum momento, e as moedas de países emergentes seriam as candidatas mais lógicas a serem incluídas na nova cesta", disse a fonte. "A publicação dos critérios não visa a descartar ou automaticamente incluir essa ou aquela moeda, mas esclarecer os requisitos que uma moeda terá de atender para a sua inclusão."

O SDR é o ativo de reserva internacional emitido pelo FMI e que foi criado em 1969 para suplementar as reservas oficiais dos países membros e cujo valor reflete uma cesta de moedas composta hoje apenas pelo dólar americano, o iene, a libra esterlina e o euro. Na prática, o SDR é a moeda do FMI. Na cotação de ontem, cada SDR correspondia a US$ 1,56757.

Com a participação cada vez maior de países emergentes no crescimento da economia mundial, como a China e o Brasil, vem aumentando a pressão para que a cesta do SDR seja ampliada e seu valor reflita também a variação de moedas como o yuan chinês e o real brasileiro. Contra a inclusão dessas moedas emergentes está a visão de alguns diretores do FMI de que ampliar a cesta para incluir moedas que não são totalmente conversíveis poderá reduzir a atratividade do SDR.




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