Zayda reconheceu que a menor lucratividade das empresas está afetando o desempenho da arrecadação. "O comportamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) indicam menor lucratividade da empresa", admitiu. Segundo a secretária, no mesmo período do ano passado, o comportamento desses dois tributos era bastante positivo em função da maior lucratividade das empresas. "Agora, a lucratividade mostra um comportamento oposto", disse.
A todo o momento, Zayda evitou falar em queda da arrecadação, preferindo utilizar "crescimento negativo" da arrecadação.
Arrecadação tem desempenho fraco em junho
Depois de meses sucessivos de recordes, a arrecadação perdeu fôlego em junho e sente os efeitos da desaceleração do crescimento brasileiro. Os dados divulgados nesta terça-feira mostram pela primeira vez no ano uma queda real da arrecadação, indicando um cenário mais difícil para o governo. A arrecadação teve uma queda real (com correção pelo IPCA) de 6,55% em junho ante o mesmo período do ano passado.
Entre as razões apresentadas pela Receita Federal para o desempenho está a queda de 4,26% da produção industrial em junho ante o mesmo mês do ano passado. Com isso, há efeitos na arrecadação dos impostos, o que ficou mais evidente no resultado divulgado nesta terça-feira. Outro fator que afetou a arrecadação em junho, segundo a secretária, foi o fato de que nesse mesmo mês do ano passado a Receita Federal recolheu R$ 6,7 bilhões com a consolidação do chamado "Refis da Crise".
A Receita Federal também colocou na lista de razões para o desempenho desfavorável da arrecadação a queda de 5,87% do valor em dólar das importações. No semestre, a arrecadação também mostra desaceleração do ritmo de crescimento. O crescimento das receitas administradas pela Receita Federal (que exclui taxas e contribuições cobradas por outros órgãos), que chegou a bater de 6,68% em março, caiu agora para 3,04% de janeiro a junho.
Tributos
A arrecadação de junho também registrou queda dos principais tributos em relação ao mesmo período do ano passado. O recolhimento do IRPJ e da CSLL teve queda de 13,65% e 6,95% respectivamente. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) também teve uma redução de 6,48%, em função da queda da produção industrial em maio e das desonerações promovidas pelo governo. No IPI automóveis, a retração da arrecadação foi de 73,67%, em função da redução da alíquota.
A arrecadação do IOF também teve uma queda de 10,11%, em relação a junho do ano passado. Na Cide combustível, a queda foi de 45,50% devido a redução das alíquotas para a gasolina e o diesel, anunciada pelo governo para compensar o aumento dos combustíveis pela Petrobras.
Dentre os impostos que tiveram aumento em junho em relação ao mesmo mês de 2011 estão o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), 15,56%; o Imposto de Importação (II), 17,34%; a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), 5,05% e o Programa de Integração Social (PIS) 6,60%. A Receita Previdenciária também teve alta de 5,88% no mesmo período.