Dois eventos com temáticas bastante semelhantes estavam na agenda desta terça-feira da missão do governo do Rio Grande do Sul nos Estados Unidos. Em pauta, o cenário atual do Brasil e o andamento das reformas no Congresso Nacional. Governadores, empresários, lideranças políticas e até o ex-presidente Michel Temer estiveram presentes no encontro. A fala mais aguardada, entretanto, era a do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, convidado a falar no fórum realizado pelo Lide, grupo de lideranças empresariais, no Harvard Club.
O parlamentar participou da segunda mesa de discussões e disse que a reforma administrativa, uma herança do governo anterior, está pronta para ser votada. O texto já passou pela comissão especial, mas precisa ser apreciado em plenário. “Para levar adiante é preciso apoio político, empresarial e da imprensa”, afirmou.
Questionado sobre a mudança na lei tributária, Lira disse que a aprovação da proposta depende de negociações, mas fez um alerta. “A principal ‘reforma’ que o Congresso brasileiro terá que fazer é não deixar retroceder tudo que foi aprovado no Brasil”, afirmou, olhando para Michel Temer, que participava do mesmo painel, cujo governo liderou a modernização da lei trabalhista.
Logo depois o atual presidente da Câmara lembrou que os deputados precisaram derrubar um decreto presidencial para restabelecer o marco do saneamento básico, que havia sido alterado por decreto do presidente Lula. Sem mencionar o Supremo Tribunal Federal (STF) ou o Palácio do Planalto, o presidente da Câmara mandou um recado. “Não teremos nenhum tipo de problema de negociar para que esta reforma possa sair como todos anseiam. E, principalmente, com aquilo que tem faltado ao nosso país, que é a segurança jurídica. E não é o Congresso que tem faltado com ela”, declarou. Sobre o arcabouço fiscal, Lira revelou que pretende que o tema seja votado ainda em maio.
O segundo evento, também exclusivo para convidados, foi o Brasil de Ideias, organizado pelo Grupo Voto. Os debates seguiram a mesma linha: a necessidade de reformas e a estabilidade política do país.
Liderança
Na ocasião, questionado sobre a reforma tributária, Eduardo Leite foi enfático. “Só vai acontecer de verdade se o governo federal, pelo próprio presidente da República, liderar este processo. As reformas que fizemos no Rio Grande do Sul aconteceram na medida em que o governo liderou politicamente, mobilizou a base, mobilizou a sociedade, para aprovar as reformas no Estado”, assinalou ainda o governador.
“Se não houver clareza por parte do presidente da República sobre o impacto e ele apenas delegar aos ministros ou aos secretários de ministérios, dificilmente haverá mobilização para fazer a reforma”, acrescentou Leite.
Tecnologia
A agenda da missão que está prevista para esta quarta-feira reserva um amplo espaço para o tema da inovação. À exceção de um café da manhã que é organizado pelo Lide, todos os demais compromissos estarão voltados para as empresas do segmento de tecnologia, entre elas a gigante Oracle.