Economia

Região Sul deve receber novos recursos para projetos com linha de financiamento da Finep, afirma presidente

Em evento, Luiz Antônio Elias tratou dos desafios da inovação tecnológica cada vez mais presente na fronteira do conhecimento e no momento geopolítico atual

Presidente esteve em debate sobre inovação tecnológica, desenvolvimento industrial e crescimento sustentável que ocorreu no Teatro da Unisinos
Presidente esteve em debate sobre inovação tecnológica, desenvolvimento industrial e crescimento sustentável que ocorreu no Teatro da Unisinos Foto : Ricardo Giusti

A região Sul do Brasil, e principalmente o Rio Grande do Sul, deverá ser contemplada com novos recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Quem afirmou foi Luiz Antônio Elias, presidente há dois meses da instituição que desempenha papel estratégico no financiamento de pesquisas e projetos. A instituição suspendeu no início do ano protocolo para novas operações de financiamento de novos projetos, como a linha Inovação para Desempenho do Crédito de Apoio Direto à Inovação e redução orçamentária prevista para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), com a justificativa de que os recursos disponibilizados para 2025 esgotaram-se rapidamente. A situação gerou preocupações para entidades como a Fiergs, que afirmou temer atrasar o desenvolvimento.

Questionado sobre a previsão de haver novos recursos, Elias alegou que os financiamentos não foram parados, e que o Estado deve ser novamente contemplado ainda neste ano e no próximo. "Acho que é um engano isso. Os financiamentos não foram cortados, na verdade, continuam. O Rio Grande do Sul foi com quase 60% de recursos dos estados do Sul, isso é muito importante, eles estavam lá", afirmou. "O que a gente fez foi o rearranjo ou replanejamento e virão novos recursos, essas instituições do Sul serão contempladas de novo", disse, sem dar muitos detalhes.

A fala foi dita antes do debate sobre inovação tecnológica, desenvolvimento industrial e crescimento sustentável que ocorreu no Teatro da Unisinos nesta sexta-feira, evento promovido pela Frente Parlamentar da Microeletrônica, presidida pelo deputado estadual Miguel Rossetto (PT), e o Fórum Democrático da Assembleia Legislativa do RS. Rosseto destacou a importância da Finep como financiador, fomentador e articulador para a pesquisa, a ciência e os investimentos na indústria e na economia. Nós temos grandes desafios, e estamos comprometidos a retomada de um desenvolvimento sustentável, de crescimento econômico no estado, com desafios singulares da região Sul e do Rio Grande do Sul”, afirmou.

Elias também reconheceu o potencial do Rio Grande do Sul para pesquisa e inovação. "É um Estado que sempre pensa à frente como uma sociedade de conhecimento, que tem exemplo muito forte na gestão das suas empresas, na integração das universidades e no quadro tecnológico, com a sua estrutura universitária".

Elias tratou da importância de debater o assunto diante do momento geopolítico atual, com tensões, alterações e com a tecnologia cada vez mais presente na fronteira do conhecimento, além das questões de transição ecológica, descarbonização e biotecnologia. Também citou a importância de olhar para os processos climáticos que terão impacto não só na agricultura, mas na qualidade de vida das pessoas e no envelhecimento da população, impactando na saúde e relacionado cada vez mais proposições de políticas que elevem a capacidade de intervir no complexo industrial da saúde.

"Para enfrentar esse desafio, nós temos que olhar o cenário internacional, ver o que as grandes potências e fronteiras tecnológicas estão liderando neste processo", afirmou. Ele apontou as estratégias dos Estados Unidos voltadas para a manufatura, ao tarifaço imposto em diversos países, como o Brasil, optando por fechar e "não expandir a relação direta nas trocas internacionais; a indústria 4.0 na Alemanha, que tem dito prejuízo em segmentos industriais e buscando acordos na área da manufatura, e a China que direciona para a área de semicondutores, tecnologia verde e hidrogênio.

Para o presidente, o cenário existente em diferentes países coloca os gestores de políticas públicas diante de um grande desafio. "Para que isso possa ocorrer, temos que construir políticas para cada vez mais formar recursos humanos, elevar a capacidade das universidades em responder a geração do conhecimento, fortalecer as capacidades científicas, mas pensando que possa ser transbordado para o setor empresarial; articular medidas não só inter governo, mas também com os governos estaduais, que possam fazer dar vazão a esses processos para enfrentamento dos riscos tecnológicos, e estabelecer mecanismo de cooperação com os parceiros internacionais", pontuou.

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Elias lembrou que o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) saiu de um patamar de 4 bilhões em 2019 para quase R$ 17 bilhões não reembolsáveis e reembolsáveis neste ano, e que a recuperação integral aconteceu por decisão política do presidente Lula com a centralidade da agenda de ciência e tecnologia dentro do seu governo. Nas cadeias agro-industriais, a Finep tem apoiado 556 projetos, com recursos de R$ 9,5 bilhões. Já no Complexo Industrial da Saúde, R$ 6,3 bilhões. Na infraestrutura e saneamento, especialmente em mobilidade, R$ 6 bilhões.

Também apontou que, na transformação digital da indústria, atua junto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) para digitalizar, repaginar e revisitar as indústrias nacionais, para que possam reaparelhar suas máquinas e equipamentos a partir da fronteira, com biotecnologia, descarbonização e transição energética. Ao todo, soma-se quase R$ 40 bilhões com 2.800 projetos que, estima, devem ser elevados a partir de 2026.

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